PR caminha para a consolidação
de seu novo perfil econômico
Jaime LernerO ano de 1974 marco a grande virada política no Paraná e no Brasil, com vitórias inesperadas e esmagadoras de opositores sobre candidatos considerados imbatíveis, inclusive em função da pressão feita pelo governo totalitário. Este ano, o Paraná também foi marco de um evento que pode simbolizar a nova era do Brasil: foi inaugurada, em maio, a Usina de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo, referência mesmo da política brasileira naqueles anos do ‘milagre’, feito excepcional de um povo a caminho de sua afirmação. Hoje, aos 25 anos, a previsão é a de que Itaipu chegará ao século 21 como a maior produtora de energia elétrica do mundo. E quando se sabe o significado da energia na vida dos povos, tem-se a importância mesma desta obra.
Este é sem dúvida um dos símbolos da grande mudança do Brasil e do Paraná, ao longo do século. O Estado da ‘congonha’ e da criação, dos primeiros tempos, da exploração do pinho, no começo do século, tornou-se depois um grande produtor de café se convertendo em celeiro do país, respondendo em determinadas ocasiões por 25% da produção de alimentos no Brasil. Passou por enormes vicissitudes, até mesmo como reflexo da recessão que atingiu o país, notadamente nos anos 80, e atinge o final do século em uma situação de expectativa positiva.
José Richa, o primeiro governador eleito pelo voto direto, desde 1965, deixou o cargo para concorrer ao Senado, passando o governo a João Elísio Ferraz de Campos. Depois, outro político do Norte se elegeu para o governo, Álvaro Dias, que passou o cargo a Roberto Requião. Finalmente, na sucessão de Requião foi eleito o arquiteto Jaime Lerner (que se beneficiou da nova legislação e acabou se tornando o primeiro governador do Estado a se reeleger), devendo governar o Paraná durante a transição para o novo milênio. Uma transição que se faz com enfâse para grandes projetos industriais, um investimento bastante forte na mudança do perfil econômico do Estado, sem porém deixar a agricultura, que deve ser, no novo século, mais importante do que qualquer outra coisa.
De 1900 até agora, o Paraná cresceu, apesar de todos os entraves. E se aproxima do novo milênio com a certeza de que sua vocação persiste, até com a esperança de se tornar não só o segundo Estado da Federação, no século 21, mas o primeiro pelo potencial e pela gente que o forma.

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