As relações entre franceses e brasileiros vêm se estreitando nos últimos anos. É o que indicam a realização, em 2005, do Ano do Brasil na França, e mais recentemente, do Ano da França no Brasil, lançado no último dia 21 de abril. A vasta programação segue até 15 de novembro.
Muito antes disso, no entanto, franceses e brasileiros já criavam laços de colaboração e também de afetividade. E boa parte dos que vieram passar uma temporada no Brasil a trabalho, a turismo ou para estudar, acabou se estabelecendo por aqui. É o caso de Romain Mallard. Diretor de tecnologia da empresa Digital SK, criada por ele em Curitiba junto com um sócio brasileiro, Mallard encontrou aqui mais que uma oportunidade de intercâmbio na época da faculdade.
O empresário veio ao Brasil pela primeira vez, em 2001, como estudante, graças a um convênio entre a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e a Universidade de Tecnologia de CompiŠgne (UTC). Aqui, ele conheceu a esposa, também intercambista, vinda de Cabo Verde. E, juntos, eles identificaram no Brasil condições favoráveis para enfrentar novos desafios. "O Brasil é visto na França como um dos países com maior potencial para os negócios", conta o empresário. Além disso, a cultura brasileira costuma seduzir os franceses que passam por aqui. "É raro um francês vir pra cá e não ficar encantado. Muitos têm dificuldade para ir embora. Quando você aprofunda o conhecimento, vê que são culturas que se complementam, se namoram", observa Mallard.
Laure Gyselinck, diretora da Aliança Francesa em Curitiba, é outro exemplo de como a afinidade entre franceses e brasileiros é intensa. Antes de vir ao Brasil, ela já gostava de música brasileira, já havia estudado sobre o escritor baiano Jorge Amado, mas não imaginava que sua relação com o país se tornaria tão estreita. "Não pensava que minha vida seria no Brasil", afirma Laure. Em Salvador, sua porta de entrada para o país, conheceu o atual marido e por aqui ficou. Morou também em Goiânia, sempre trabalhando na Aliança Francesa, e há um ano e meio está em Curitiba. "Quem vem solteiro não volta sozinho", garante Laure, que aponta o entusiasmo como característica mais marcante do brasileiro em contraste com o francês. "Na França, parece que as pessoas estão mais cansadas da vida", compara.
Segundo o cônsul honorário da França em Curitiba, Joseph Galiano, o Brasil é um dos países que desfrutam de maior simpatia junto ao povo francês. "Os franceses gostam do Brasil e o Brasil gosta da França. O povo brasileiro é muito gentil e espontâneo. O Brasil é o país latino-americano mais querido lá. A afinidade é sensacional", revela Galiano. "É como se tivesse um preconceito ao contrário", completa Mallard.
Radicado no Brasil desde 1958, Galiano diz que, apesar das dificuldades enfrentadas no início, hoje sente-se 50% brasileiro. "Não quero renegar a França, nem o Brasil. Quando vou pra lá defendo o Brasil", garante o cônsul, que fundou em Curitiba a rede de imobiliárias Apolar. "Passamos necessidades. Quando cheguei aqui, conseguir uma ligação para São Paulo levava um dia inteiro. Eu só conhecia o Rio de Janeiro, São Paulo eu nem tinha ideia do que era", lembra Galiano. Pai de cinco filhos, ele só lamenta não ter a companhia deles na torcida em época de Copa do Mundo. "Todos torcem para o Brasil", conta Galiano.

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