Poty também faz a festa
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 1998
Luiz Claudio Oliveira 
Kraw Penas
Arquivo Folha
Poty nasceu no dia do aniversário de Curitiba, há 74 anos. Suas obras, espalhadas pelos quatro cantos da cidade, incorporam a história dos habitantes
Napoleon Potyguara Lazzarotto, o Poty, nosso mais conhecido artista plástico e muralista mais requisitado para retratar as coisas da cidade, faz aniversário junto com Curitiba. Tem 231 anos a menos que a cidade, ou seja, está completando 74 anos de idade. Em homenagem ao aniversário do artista, a Caixa Econômica Federal está lançando a terceira série do Projeto Traços e Palavras. Durante todo o mês de abril, cartazes vão ser expostos nas agências da CEF trazendo uma obra do artista e um poema especialmente encomendado a Alice Ruiz.
A obra de Poty convive com o curitibano no dia-a-dia, mesmo que este às vezes nem perceba. Ao andar na praça 19 de dezembro, é só reparar que junto ao casal nu há um painel de Poty. O artista sobe pelas paredes em várias partes da cidade, como no Hotel Paraná Suíte, na praça Eufrásio Correia, entre a Câmara Municipal e o Estação Plaza Show, ou próximo ao Largo da Ordem, nos dois lados da Travessa Nestor de Castro; além de estar nas fachadas do Palácio Iguaçu, Teatro Guaíra e Hospital de Clínicas.
Mesmo os turistas que chegam a Curitiba de avião, se gostarem de arte e tiverem tempo de olhar para os lados, poderão ver o mural de Poty em uma das salas do Aeroporto Internacional Afonso Pena.
Existem tantos exemplos de murais e vitrais que poderiam encher uma página, mas é importante destacar que Poty não se resume em uma espécie de pintor paranista oficial.
Foi formado no Curso de Gravura do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, como discípulo de Carlos Oswald, entre 1942 e 1945.
No ano seguinte ganhou uma bolsa do governo francês e estudou na Escola Superior de Belas Artes, em Paris, onde morou até 1948 e tornou-se um exímio gravurista.
Na volta ao Brasil, foi convidado por editoras e pelos próprios escritores a ilustrar livros obrigatórios em estantes de amantes da literatura brasileira. Entre os autores que foram ilustrados por Poty estão Graciliano Ramos, Jorge Amado, Gilberto Freyre, Machado de Assis, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, José de Alencar e, principalmente, Dalton Trevisan, além dos internacionais Tchecov e Górki em edições brasileiras.
Participou de exposições internacionais na França, Inglaterra, Bélgica, Alemanha e Suíça. Enquanto isso, junto à sua aldeia, visitou índios no Xingu com os irmãos Villas-Boas e atuou em alguns movimentos artísticos que nasceram no Paraná, junto com o amigo Dalton Trevisan, que editava a revista Joaquim, nos anos 40.
No Teatro Guaíra, está por dentro e por fora. Além de criar a bela fachada que já foi e ainda é um dos mais belos cartões postais da cidade, ilustrou também as cortinas corta-fogo do Guairão e Guairinha.
Agora chega aos bancos para ficar por pelo menos um mês, acompanhado da poeta Alice Ruiz.


