Nos últimos sete anos, Porto Barreiro perdeu mais de 10% de sua população: em 2000, tinha 4.206 habitantes (3.794 moravam na Zona Rural) e no final do ano passado, segundo o IBGE, eram 3.794 moradores. Na tentativa de reverter a emigração, a aposta do município, que se emancipou há apenas 11 anos, é a melhoria das condições de vida no campo.
A agrônoma da Secretaria Municipal de Agricultura, Sandra Gnoatto Pinto, diz que a aplicação do orçamento é definida pela comunidade. A maior parte dos recursos atende famílias de pequenos agricultores que, na maioria, trabalham com pecuária leiteira. Segundo ela, há ações de melhoria da qualidade do solo e do armazenamento do leite, de reforma de estradas rurais, de ampliação das opções de lazer nas vilas, de recuperação da mata ciliar, de capacitação dos trabalhadores, entre outras coisas.
Os resultados, conforme a agrônoma, começam a surgir. No viveiro de espécies nativas mantido pela prefeitura aumentou a procura por mudas. Tanto que 200 kg de pinhão estão germinando e, em breve, serão replantados na região. Outro indicativo é o incremento da bacia leiteira: há dez anos, o município produzia cerca de 900 litros/dia e hoje são mais de 25 mil litros/dia.
''Os agricultores estão tendo a possibilidade de permanecer no campo'', comemora o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sidinei Lima. Ele fala que há alguns anos houve intensa emigração para Santa Catarina, mas muitos estariam retornando após se frustrarem com a vida na cidade.
Porto Santana, às margens da Represa de Salto Santiago, no Rio Iguaçu, é um exemplo deste êxodo. Na década de 80, a vila era uma das maiores da região e crescia com o movimento da balsa que fazia a travessia para Chopinzinho. ''Aqui era o centro de tudo. Só com madeira, chegava a passar mais de cem caminhões por dia'', recorda o agricultor Arival Nardin, que cuidava do transporte. A vila tinha dezenas de casa e até um hotel - do qual só sobrou a chaminé do forno - que vivia sempre lotado.
Muito disso, segundo ele, estaria ligado ao fato de que diversas famílias tiveram suas terras inundadas e as indenizações não foram o que esperavam. ''Minha família mesmo tinha mais de 200 alqueires e perdeu mais da metade. O que meu pai recebeu deu para comprar uma casa pequena na cidade'', conta.
Após a inundação por causa de uma usina hidrelétrica, o movimento foi caindo, a população foi se dispersando e Porto Santana hoje é um minúsculo vilarejo com pouco mais do que uma dezena de casas. Até a balsa não funciona mais. Com um furo no casco, a embarcação está atracada em terra firme. ''A juventude saiu, quem ficou foram só os mais velhos'', lamenta Nardin, cujos filhos também migraram para a cidade. (L.A.)

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