Por uma urna, recorde não é quebrado
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Renata Veríssimo e<br>Mariângela Gallucci<br>Agência Estado 
Brasília - Se não fosse a substituição de uma urna no bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, o segundo turno entraria para a história como a primeira eleição de fato totalmente informatizada. Das 67.756 urnas eletrônicas utilizadas ontem, apenas uma teve de ser substituída pela urna de lona, na qual são depositados os votos em papel. Em 2004 foram usadas 39 urnas de coleta de voto de papel.
''É o milagre da urna eletrônica. Estamos na vanguarda do processo eleitoral em todo mundo'', festejou na entrevista coletiva de avaliação o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ayres Britto. Ele fez questão de lembrar que essa ''vanguarda'' é formada por um ciclo eletrônico completo: ''(A urna) facilita a coleta de votos, a apuração, a totalização e a divulgação'', disse Britto. O TSE havia se preparado para o recorde: ''Nossa expectativa era de que não houvesse pela primeira vez na história nenhuma urna substituída pelo voto manual'', admitiu o ministro.
No Rio de Janeiro, foram usadas urnas consideradas antigas, de 1998, que dão mais problemas do que as novas. Mesmo assim, foram usadas apenas 515 urnas sobressalentes, um índice de 0,661% do total de urnas instaladas na eleição municipal - é o índice mais baixo da história eleitoral eletrônica. No primeiro turno, o índice de troca foi de 0,680%.
O modelo de votação adotado pelo Brasil desperta curiosidade no exterior. Em todas eleições, observadores estrangeiros vêm para cá para assistir ao processo. No primeiro turno, por exemplo, estiveram no Brasil representantes de Moçambique, Quênia, Angola, Costa Rica, Argentina e Palestina.
Num movimento contrário, o vice-presidente do TSE, Joaquim Barbosa, viajará no dia 1º de novembro para os Estados Unidos para acompanhar as eleições americanas, onde o voto eletrônico não existe nacionalmente.
Ocorrências
O TSE divulgou também balanços sobre as ocorrências registradas nas cidades onde foi realizado o segundo turno. Ao todo, foram computadas 554 ocorrências policiais, mas sem nenhum candidato preso; mas houve 410 eleitores presos, envolvidos principalmente por problemas com boca de urna, transporte ilegal de eleitores e compra de votos.


