Por uma rua melhor
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terça-feira, 01 de julho de 2008
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
Diogo Cavazotti
Equipe da Folha
A Rua Ancelmo Ferrarini, no Bairro Santa Cecília, em Campina Grande do Sul, faz parte de uma área de proteção ambiental. Assim como as outras ruas próximas, ela não tem asfalto e possui lixo e mato por todo o trajeto. Por conta disso, o local era bastante procurado por pessoas interessadas em abandonar filhotes de gatos e cachorros e consumir drogas. Os próprios moradores eram obrigados a dar a volta na quadra para evitar passar por partes mais escuras do local. Foi solicitado à prefeitura o corte do mato e o recolhimento constante do lixo acumulado. Após três anos e meio sem resposta, os moradores resolveram arregaçar as mangas e trabalhar.
A bancária Lúcia Mendes se reuniu com mais algumas vizinhas com o objetivo de melhorar o aspecto e a segurança da rua onde vivem. Mas não existia verba para isso. Então o grupo começou a recolher e vender as latas de alumínio deixadas nos lixos da região. Com o dinheiro, os moradores limparam os terrenos e calçadas, e também plantaram flores para revitalizar o espaço.
Com aproximadamente R$ 20 eles conseguem limpar um terreno e também fazer a jardinagem. O grupo consegue arrumar 100 metros da rua por mês. Achei que ia levar um ano, mas em seis meses vamos conseguir terminar, conta Lúcia. Na agência bancária em que ela trabalha os colegas levam latas de alumínio para ajudar no projeto. Na casa de Lúcia, é difícil não encontrar sacos com latas de refrigerante e cerveja vazias.
Outro problema que os moradores enfrentavam era a quantidade de animais abandonados na rua. Em apenas dois dias foram 14 cachorros deixados lá, sendo que alguns deles estavam presos dentro de sacolas plásticas. O motivo do local ser destino dos filhotes era o mato alto e fechado existente ali.
Com a limpeza dos terrenos a quantidade de animais abandonados diminuiu. As integrantes do projeto recolhem e cuidam dos animais órfãos, antes de encaminhar para adoção. Porém, alguns deles conseguem dono na hora, já que as próprias vizinhas decidem ficar com os animais. Tenho uma cachorro da raça pit bull que adotou cinco filhotes que levei pra casa. Um dia cheguei e todos eles estavam mamando nela, diz Rosane Aparecida Messias, também integrante do projeto.
A sua filha Iris também adora cuidar dos bichos. Ela adotou um gato que recebe ótimo tratamento, com direito a andar no carrinho de bonecas e a dividir pedaços de biscoito com Iris.
Um outro projeto do mesmo grupo, chamado Amigos do Planeta Água, também envolve o uso de material reciclado. Os integrantes realizam cursos e palestras sobre como utilizar garrafas PET para ganhar dinheiro. Ensinam como funciona a fabricação de sofás, bolsas, aparelhos para aquecimento natural, abajures, entre outros. Esses dias fui em uma feira e vi uma barraca de mulheres que fizeram o curso com a gente. Elas vendiam o sofá de garrafa PET que ensinamos a fazer por R$ 60. Fiquei feliz. Esse é o objetivo do projeto, explica Lúcia.
Elas aprenderam a forma de como reciclar as garrafas pela internet, através de uma apostila disponível na rede. Agora a Secretaria do Meio Ambiente de Campina Grande do Sul estabeleceu uma parceria com os Amigos do Planeta Água. Os integrantes irão dar os cursos de reciclagem nas escolas para ensinar os alunos a fabricar objetos que servem para mobiliar a própria casa e também para vender. Além disso, cada escola irá adotar uma rua da cidade.
Com o dinheiro arrecadado com a venda de alumínio os alunos deixarão o lugar com melhor aspecto. Uma reunião foi realizada na semana passada e a prefeitura informou que todas as escolas do município participarão do projeto. Além das escolas, o grupo irá dar palestras em restaurantes sobre a separação do lixo reciclável e do orgânico.


