A preocupação ambiental já está inserida no dia a dia da dona-de-casa curitibana. Lançada há menos de três meses, a campanha pela entrega de óleo de cozinha já usado no serviço de coleta especial da Prefeitura de Curitiba já conseguiu arrecadar 1,6 mil litros de óleo pós-consumo. O produto, que normalmente era jogado nos ralos das pias de cozinha e poluiam rios e córregos, tem sido acondicionado em garrafas pet e entregue nos 78 pontos do Câmbio Verde e nos 21 terminais de ônibus da cidade. De acordo com os dados da Secretaria do Meio Ambiente de Curitiba, cada litro de óleo despejado no esgoto tem potencial para poluir cerca de um milhão de litros de água - o que equivale à quantidade que uma pessoa consome ao longo de 14 anos de vida.
Se for para a rede de esgoto, o óleo também encarece o tratamento dos resíduos em 45%. Se atingir os rios, ele provoca a impermeabilização dos leitos e terrenos adjacentes, o que contribui para ocorrência de enchentes. ''Exatamente por isso que estavamos ainda tentando sensibilizar a população sobre o correto destino do óleo. Além disso, o óleo pode ser usado como matéria-prima para o processo produtivo do sabão, de produtos de limpeza, de óleo para máquinas'', diz Gisele Martins dos Anjos, gerente de limpeza do Departamento de Limpeza Pública da Secretaria do Meio Ambiente de Curitiba. Apenas duas empresas recebem o óleo coletado pela Prefeitura. O dinheiro arrecadado com a venda do produto é reinvestido em programas sociais.
Apenas um caminhão de coleta especial de lixo (principalmente tóxico) percorre os bairros da cidade. Durante todo o dia, dois coletores recebem a população para retirar das casas materiais considerados tóxicos, como remédios vencidos, pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes. Das 7h às 10h45, o caminhão conseguiu recolher 93 quilos de lixo tóxico e outros nove quilos de óleo. ''As pessoas estão mais conscientes e trazendo todo o tipo de material para a coleta especial. O óleo não está sendo esquecido. Sempre tem quem traz'', conta o coletor Gerson Moreira de Abreu, que é também motorista do caminhão. Segundo ele, são atendidas entre 14 e 16 pessoas por dia.
Os locais onde são feitas as maiores arrecadações, de acordo com Abreu, são no Cabral, Portão e no Centro. Uma das empresas que recebe o óleo de cozinha é a Ambiental Santos, em Itaperuçu (Região Metropolitana de Curitiba). A empresa recebe 200 toneladas de óleo por mês - principalmente de restaurantes e pastelarias. Depois de processado, classificado e filtrado, o óleo passa por uma transformação e é vendido no mercado como fertilizante, sabão, detergente e até como biodiesel. ''A gente faz tudo o que é possível com o óleo que seria jogado na natureza. Transformamos o produto que depois volta ao comércio num preço acessível e com a chancela de qualidade ambiental'', comemora Marcos Antônio Dalcin, proprietário da Ambiental.


Serviço:

- Para ser entregue, o óleo deve ser armazenado em garrafas pets, de preferência transparentes. Os dias e horários da coleta podem ser obtidos pelo telefone 156 ou na página da Prefeitura na internet (www.curitiba.pr.gov.br). Outra opção é ligar diretamente para o departamento de Limpeza Pública, em dias e horários úteis (3338-8399).



SAIBA MAIS

Conheça os principais prejuízos que o óleo de fritura provoca ao meio ambiente:

- Impermeabilização do solo, contribuindo para aumento de enchentes
- Prejuízo à oxigenação da água dos rios, causando danos à fauna aquática
- Mau cheiro e poluição
- Entupimento das tubulações
Fonte: Secretaria do Meio Ambiente

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