O potencial de consumo da população vem mudando radicalmente o perfil da periferia de Londrina. De grandes empresas a pequenos comerciantes, todos estão de olho neste mercado: a população dos bairros.
  Na frente da Biblioteca Pública, duas estudantes da oitava série, do ensino fundamental, de um colégio tradicional da cidade, freqüentado por adolescentes de classe média alta, se espantam com a pergunta: Vocês conhecem a periferia?
  Elas franzem a testa. ‘‘Deus me livre’’, diz uma delas. A outra é taxativa: ‘‘Jamais iria andar na periferia, nem morta! Ali, todo mundo sabe, é lugar de bandido, de tráfico de drogas, tem gente muito miserável. É horrível a vida dessas pessoas que vivem na periferia’’.
  Na contramão da opinião preconcebida das estudantes, o metalúrgico Anderson Gonçalves Nunes, 23 anos, morador do Jardim Itapuá (zona norte), sobe na sua moto e acelera, enquanto fala: ‘‘Essa é uma opinião de quem ainda não conhece a cidade’’, diz, convicto, o trabalhador.
  Anderson fala com a propriedade de quem vê de perto uma nova realidade, uma cidade em transformação. O que ele talvez não saiba é que sua definição de periferia é a mesma de grandes grupos econômicos internacionais, que estão voltando suas atenções – e, claro, seus negócios – para o imenso potencial de consumo e de geração de riquezas das classes mais baixas das populações de países emergentes como o Brasil, ao lado da China, Índia e Rússia.
  As projeções mostram que, em 10 anos, as populações dos países emergentes serão responsáveis por 40% do crescimento da produção mundial. No Brasil já se nota um movimento forte neste sentido.
  ‘‘Há um imenso potencial de consumo em expansão entre as classes mais baixas da população, e qualquer tipo de preconceito em relação a isso vai significar perda de dinheiro e de uma grande possibilidade de desenvolvimento para qualquer país, como o Brasil, ou para cidades como Londrina’’, analisa Lourival Medeiros, diretor de marketing da Sercomtel Celular, que recentemente lançou um produto voltado exclusivamente para as classes C e D: o ‘‘Recarga na Medida’’, programa de recarga a partir de R$ 2,00. ‘‘Somos os primeiros no Brasil na área de telefonia celular a focar neste público específico’’, ressalta Medeiros.
  Com quase 500 mil habitantes, Londrina tem um crescimento demográfico de 1,73% ao ano. A maioria das famílias pertence às classes C e D, que somam mais de 90 mil domicílios, de um total de quase 150 mil. O potencial de consumo dessas duas classes, segundo estudo feito pela empresa Target Marketing, em 2006, é de quase 580 milhões de dólares.
  O potencial total da população de Londrina, incluindo as classes A1, A2, B1, B2 C, D e E, é de 1,7 bilhão de dólares. Se considerarmos apenas as classes A1, A2, B1 e B2, o potencial de consumo fica em quase 1,2 bilhão de dólares.

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