A feira mais populosa e agitada de Londrina tem também o metro quadrado mais valorizado. Segundo o representante dos feirantes da Avenida Saul Elkind (Zona Norte), Márcio Godoi, enquanto uma barraca de verdura ou frutas pode sair por R$ 1 mil, outra de pastel pode chegar a R$ 100 mil. Essa cotação elevada das barracas não é por acaso, Godoi estima que o volume de negócios seja em torno de R$ 200 mil por domingo, nas cerca de 300 barracas do lugar.
O movimento de todos os domingos que se estende por 11 quadras da principal avenida da Zona Norte é algo que impressiona, principalmente das 10h às 13h. Tem momentos que não dá para passar no estreito corredor entre as barracas. O congestionamento é acompanhado de diversos sons e cheiros. Músicas de Amado Batista e fumaça de pastel batem o recorde. Por todos os lados, vê-se pessoas escolhendo e comprando os mais variados tipos de produtos.
A feirante Márcia Refundini Kamiji conta que em 2006 vendeu sua barraca de pastel da feira por R$ 79 mil. No pacote, o comprador levou mais três pontos de outras feiras livres, móveis e equipamentos. Este ano, arrependida, conseguiu comprar novamente uma barraca na Saul Elkind. ''A feira é minha vida. Nunca mais vendo, por dinheiro nenhum do mundo'', decreta Márcia.
Até o momento, Márcia Kamiji só conseguiu comprar dois pontos, ''mas pelo menos um deles é na Saul Elkind, a melhor de Londrina, em vendas e movimento'', conclui aliviada. Na compra deste e de outro ponto na Feira da Lua do Anália Franco já investiu cerca de R$ 40 mil. Segundo ela, só os pontos de venda de pastel em feiras livres giram em torno de R$ 15 mil a R$ 25 mil, dependendo do movimento da feira. Os mais caros são os pontos da feira da Saul Elkind.
Milton da Costa, também proprietário de uma barraca de pastel, está satisfeito com as vendas e não pensa em se desfazer do negócio por nenhuma oferta. Na Saul Elkind, vende por domingo, uma média de 2 mil pastéis, enquanto nas outras feiras que participa de quarta à sábado a média é 500 unidades.
''A feira da Saul é o que me salva, não dá pra ficar sem''. Costa acredita que 60% das pessoas que circulam pela feira vão só para comer pastel e passear. ''A feira é um ponto de encontro das pessoas da Zona Norte e para melhor atender disponho de 25 jogos de mesa'', afirma Costa.
Não vendo
Outro que está contente com a barraca de cereais na feira da Saul Elkind é José Domingues, feirante há 20 anos na Zona Norte. No domingo, 2 de dezembro, por volta do meio-dia, vários sacos de cereais estavam acabando. Segundo ele, o cereal que mais tem vendido é o feijão, somente naquele dia já havia comercializado dez sacos de 60 kg.
Ele conta que já rejeitou proposta de compra da barraca no valor de R$ 40 mil. Perguntada, então, por quanto venderia, Domingues descartou qualquer possibilidade. ''Não tem preço porque não está a venda'', resumiu.
João Caetano de Oliveira comprou o ponto de hortifrutigranjeiros há três anos por R$ 9 mil e afirma que o ponto é muito bom. Segundo ele, pagou um pouco mais caro porque parcelou a dívida e na negociação entrou uma Kombi usada. ''Como minha barraca está no início da feira, o movimento melhora ainda mais nos dias de chuva'', revela Oliveira.
O casal Fudgio e Herundina Nagai participa de seis feiras livres durante a semana. Eles têm uma barraca de frios na Saul Elkind há seis anos e confirmam que ali o movimento é bem melhor do que as feiras dos Jardins do Sol, Califórnia, São Lourenço, Pizza e Bandeirantes. ''O fato de ser domingo também ajuda, as pessoas têm mais tempo'', lembra Herundina.
O aposentado João Barbosa de Oliveira, morador no Conjunto João Paes, é frequentador assíduo há 20 anos. ''Todo domingo estou aqui. Já se tornou um hábito. Prefiro comprar na feira porque os produtos são mais frescos do que no supermercado''. O mesmo pensamento tem o agricultor Jair Janegitz, morador do Conjunto Maria Cecília, que há seis anos compra no local.

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