Ponte para uma nova vida
Talvez por estar situada em um breve intervalo entre a prisão propriamente dita e a ressocialização do condenado, a Colônia Penal Agrícola de Piraquara tem como um dos mais importantes objetivos preparar os internos para a vida fora do sistema carcerário. Por isso a presença escolar é obrigatória. Segundo o diretor da instituição, Lauro Luiz de César Valeixo, a meta é que todos os presos deixem o local com pelo menos o ensino médio completo. Ele diz que no ano passado, 22 internos teriam passado no vestibular, sendo que um deles seria responsável pela maior nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do Brasil.
Além do ensino regular existem diversos cursos profissionalizantes oferecidos através de convênios com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Outros convênios fornecem cursos nas áreas da informática, eletrônica, elétrica e hidráulica, tudo para que o interno não chegue ao mundo exterior desqualificado profissionalmente.
Condenado por tráfico de drogas, o interno J.J. de 45 anos, já fez cinco cursos em apenas seis meses dentro da Colônia. Natural do interior do Estado, ele escolheu as disciplinas que têm aplicação prática na atividade rural, como pastagem, piscicultura, apicultura, ovinocultura e bovinocultura. Ele pretende utilizar esses conhecimentos na pequena propriedade em que mora sua família. "O que a gente aprende, ninguém tira", reflete.
Outra opção para o desenvolvimento profissional são os 40 canteiros de trabalho que existem dentro da Colônia Penal. Alguns são mantidos por empresas privadas (que se comprometem em ensinar o ofício desempenhado em troca da mão de obra barata) e outros pelo poder público. A cada três dias de trabalho desconta-se um da pena, além disso quem trabalha recebe um salário mínimo pela atividade, 25% do valor total fica com a família e 75% vai para uma conta poupança que o preso poderá acessar quando estiver livre. Se não tiver família, o valor integral fica guardado. A intenção é que com essa reserva financeira o detento consiga se manter até conseguir um emprego, sem precisar assim recorrer ao crime.
Mesmo com essas facilidades ainda existem aqueles que não tem interesse em se ressocializar. Segundo Valeixo, quando o interno não mostra interesse por cursos nem comparece às aulas regulares, pode haver regressão da pena para o regime fechado. "As oportunidades estão sendo dadas, resta a eles aproveitarem a chance", avalia. (A.A.)





