Ponta Grossa diversifica a produção
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Giovani Ferreira 
Ponta Grossa iniciou este ano a mudança de seu perfil industrial. O município deixa de ter uma economia voltada exclusivamente para o setor agroindustrial, abrindo espaço para uma produção mais diversificada, com destaque para o crescimento do setor automotivo, com a instalação de diversas fábricas fornecedoras de autopeças para as montadoras implantadas na Região Metropolitana de Curitiba.
O município deixa de ser conhecido somente como a Capital Nacional de Esmagamento de Soja, título que sustenta há mais de duas décadas, para tornar-se o município do interior do Estado a receber o maior volume de investimentos industriais nos últimos três anos. Conforme números da prefeitura, nesse período as fábricas nacionais e multinacionais que chegaram ao município já aplicaram, ou ainda estão investindo, em torno de US$ 500 milhões.
As fábricas alemã da Continental Pneus, que deve ser inaugurada até o final do ano, a Tetra Pak, que inicia suas atividades no próximo mês, e a Bealieu, uma das maiores produtoras de carpete do mundo, são exemplo dessa mudança de perfil do município. São todas empresas multinacionais, com sede principalmente na Europa, que começam a produzir em Ponta Grossa ainda este ano.
Enquanto a Tetra Pak inaugura em Ponta Grossa a sua segunda fábrica em território nacional, a Continental e a Beaulieu trazem para o Brasil suas primeiras unidades, acreditando principalmente no potencial econômico do Mercosul. Segundo o secretário municipal de Indústria e Comércio, Herculano Lisboa, a facilidade de acesso de Ponta Grossa ao Mercosul é um fator fundamental para essa retomada do desenvolvimento no município.
Herculano avalia todos esses investimentos como um processo natural. Destacando o empenho da administração na conquista das novas empresas, Herculano também acredita que Ponta Grossa acompanha o desenvolvimento do Estado como um todo. Como uma das principais cidades do Paraná, com a vantagem de sua excelente localização geográfica, o município oferece uma logística compatível com as exigências das empresas, ressalta Herculano.
A implantação da maioria das novas empresas está acontecendo às margens da BR-376, entre Ponta Grossa a Curitiba. A estrada também é a ligação do município com a fronteira do Brasil com o Paraguai e Argentina, através de Foz do Iguaçu. Além da facilidade de acesso ao Mercosul, Ponta Grossa está a 110 quilômetros da capital do Estado e a 220 quilômetros do Porto de Paranaguá.
O secretário prevê que nos próximos cinco anos os investimentos no município devem ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão, com a geração de pelo menos 5 mil empregos diretos. Herculano faz essa projeção em cima de análise de toda a cadeia produtiva que será gerada com implantação das novas indústrias.
O processo definido como retomada do desenvolvimento teve início em Ponta Grossa entre os anos de 1995 e 1996, com a chegada da Cervejaria Kaiser, que investiu no município US$ 130 mil, gerando mais de 250 empregos diretos. A partir disso Ponta Grossa colocou em prática um programa de atração de indústrias.
Ponta Grossa figura no cenário nacional como um pólo do desenvolvimento industrial do Paraná, despertando o interesse de dezenas de outras indústrias que estavam estudando a possibilidade de implantar uma unidade no Estado. O secretário Herculka Lisboa entende que Ponta Grossa conseguiu destacar-se neste processo, a partir do momento que as empresas conciliaram os benefícios fiscais concedidos pelo Estado com os atrativos naturais oferecidos pela cidade.
Quando fala em retomada do desenvolvimento, o secretário faz referência à principal fase de industrialização de Ponta Grossa, vivida no início da década de 70, na gestão do então prefeito Ciro Martins. Nessa época instalaram-se na cidade as grande multinacionais do setor agroindustrial, como a Cargill, Sanbra, Santista e Coimbra, que revolucionaram todo o segmento econômico de Ponta Grossa.
Assim como aconteceu na década de 70, o município está conseguindo atrair milhões de dólares em investimentos, fortalecendo a economia e promovendo o desenvolvimento dos setores produtivos e sociais de Ponta Grossa, diz Herculano. A única diferença entre a década de 70 e a atual, observa o secretário, é que o município está mais preparado, do ponto de vista estrutural, para dar suporte ao processo de desenvolvimento.


