Ponhá no borso
Superexpostos, os apresentadores das TVs de varejo contam que são reconhecidos nas ruas e recebem outras propostas de trabalho graças às aparições constantes no vídeo. Por causa da TV Mais, hoje faço um programa numa emissora aberta, diz Kelly Romanow, 33 anos.
Kelly deixou a carreira de administradora de empresas para se dedicar à TV. Hoje, concilia os dois empregos. Mas no canal de varejo me considero vendedora, afirma.
Andressa DAndrea, 29, pensa diferente. Formada em jornalismo, ela diz que a linguagem do Shop Tour, onde trabalha, coloca o comunicador na posição do consumidor, e não do lojista. Não vendo os produtos, quem vende é o cliente, esclarece a apresentadora do extinto programa Ligados e Sarados, sobre saúde e bem-estar.
Seja como for, a convivência com os comerciantes nem sempre é fácil. Afinal, tratam-se de pessoas sem a mínima experiência em comunicação - e que estão pagando para aparecer de forma positiva na TV. Como não há um texto definido, o risco de errar é grande, e muitas gravações têm de ser repetidas.
Alguns comerciantes pecam por excesso de vaidade. Querem aparecer mais do que o apresentador e acabam atrapalhando (quando não fazem questão de mostrar a família e os amigos no ar). Outros exigem que os comunicadores conheçam dados técnicos sobre seus produtos, e se irritam quando isso não acontece.
Mas não há nada pior do que os erros de português. O pátio está repreto de carros, Você nem precisa ponhá a mão no borso e O veículo já vem praquinhado (emplacado) são algumas das barbaridades mais cometidas contra a língua pátria.
A gente acaba ensinando o cliente a se comunicar na TV. Em muitos casos, também desenvolvemos uma estratégia de marketing para ele, diz Andressa, enquanto sua maquiagem pesada derrete sob o sol do início da tarde. (O.G.)





