Humberto Yamaki lembra: paisagem também é patrimônio arquitetônico. Nesse sentido, não poderia haver maior negligência com a história da cidade do que a concentração de peças de publicidade na Área Central de Londrina. Segundo Carlos Xavier, assessor de relações comunitárias da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), os pontos críticos dessa poluição visual estão na Avenida Paraná e nas ruas Sergipe e João Cândido.
''Em vários locais nestas vias, nota-se uma total falta de bom senso'', critica Xavier. Sob os anúncios coloridos e em profusão, esconde-se a arquitetura das primeiras décadas de vida de Londrina. E o que se esconde geralmente é o que se esquece. ''A população acaba não desfrutando plenamente do espaço arquitetônico. Londrina precisa avançar no debate sobre a preservação de sua paisagem''.
Embora se mostre relutante ao empregar o termo poluição visual, Yamaki concorda que há excessos na publicidade. ''Seria melhor se as lojas colocassem em seus estabelecimentos logomarcas características, facilmente identificáveis, em pontos específicos, ao invés de utilizar anúncios grandes e repetitivos. É sempre melhor comunicar o máximo possível com o mínimo possível'', argumenta.
Xavier cita como exemplo típico de desrespeito os outdoors que impedem que motoristas e pedestres visualizem da Avenida JK a tradicional Igreja Anglicana, localizada na esquina com a Rua Mossoró. ''As reclamações sobre a poluição visual, em várias regiões, são constantes''.
Segundo o assessor, a prefeitura pretende retomar, ainda no primeiro semestre, os debates sobre a criação de uma lei que regulamente certos aspectos da publicidade pelas ruas de Londrina: dimensões de anúncios, localização, padronizações. Em discussões anteriores, foi confeccionada uma minuta a respeito do assunto, que deve guiar a retomada das conversas.

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