Israel Reinstein
A diversão da menina Letícia Santos Moreira, 5 anos, é jogar um pedaço de madeira no rio que passa aos fundos de casa. Morando em Pinhais, na divisa entre aquele município e Curitiba, a garota, junto com os amigos, vê o seu ‘‘barquinho’’ atravessar lixo, que foi jogado dentro das águas que demarcam a divisa entre Curitiba e o município vizinho.
A brincadeira da menina acontece em um dos pontos críticos da cidade, onde há a exigência de um trabalho integrado para solucionar um grave problema ambiental. ‘‘No próximo milênio, Curitiba vai ter agir de maneira conjugada para solucionar os problemas ambientais que atingem a cidade e também os municípios vizinhos’’, afirma o diretor da Sociedade de Preservação da Vida Selvagem (SPVS), Clóvis Borges.
Uma das causas desse problema comum, prossegue Borges, seria provocado pelo desequilíbrio social. ‘‘Não adianta atuar em cima das dificuldades ambientais e deixar o problema social de fora’’, afirmou Borges.
Essa mesma avaliação é feita pela diretora do Departamento de Pesquisa e Monitoramento da Secretaria de Municipal de Meio Ambiente, Marilza Oliveira Dias. Ela afirma que a prefeitura de Curitiba já vem trabalhando para atuar em conjunto com os municípios vizinhos. ‘‘Não se pode mais agir sozinho, isolado dos demais municípios, porque para determinados problemas, como a água, não existem limites de fronteiras’’, diz Marilza.
Ela afirma que no caso da poluição nos rios, estaria se usando o programa Olho D’Água, em que alunos de escolas municipais fazem um levantamento completo sobre a situação dos rios através da análise da água. Também está se agindo com a participação da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), que direciona as formas de ocupação de áreas de mananciais.
Marilza entende que Curitiba já dispõe de um política ambiental, que guiaria a cidade no próximo milênio. ela reforça que a cidade foi pioneira na implantação da coleta seletiva de lixo no País. Hoje separa 13% de seu lixo e ocupa também o primeiro lugar entre as quatro cidades brasileiras que já separam o lixo reciclável biodegradável (lata, vidro, metal, plástico, papel), seguida de Porto Alegre (5%), Florianópolis (4%) e São Paulo (a maior cidade brasileira separa apenas 1% do que recolhe).

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