Poluição até no cartão-postal de Londrina
A poluição da água atinge até mesmo um dos principais cartões postais da cidade: o Lago Igapó. Nos últimos meses, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) tem feito medições constantes da qualidade da água. Na maior parte dos exames, o Igapó obtém a classificação ''imprópria''. Nesta semana, para surpresa do próprio chefe regional do IAP, Ney Paulo, a qualidade da água do lago foi considerada excelente.
''A falta de chuva pode ter contribuído para o bom resultado da análise do Lago Igapó'', avalia Ney Paulo. Segundo ele, a chuva é responsável por levar a sujeira da cidade para dentro do lago. Com isso, fatos corriqueiros na vida dos moradores da região podem ser potenciais fontes de poluição. Por exemplo, os produtos químicos usados para lavar calçadas têm como destino as galerias de águas pluviais, que por sua vez desembocam em cursos de água que chegam ao Lago Igapó.''É necessário maior conscientização sobre a importância da preservação ambiental'', afirma o chefe regional do IAP.
Para o arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, a participação da comunidade é essencial para combater a poluição. ''O papel da Igreja é fazer a população refletir sobre a importância da água'', salienta. A escolha do tema da Campanha da Fraternidade foi embasada em estatísticas que mostram que 20% da população brasileira não têm acesso à água potável. O resultado financeiro da campanha será usado na construção de cisternas em Oeiras e Floriano, ambas no Piauí, cidades irmãs da Diocese de Londrina. ''Considero que aqui o Poder Público tem maior possibilidade de atender as necessidades das pessoas em relação à água'', completa.
A opinião de Dom Albano Cavallin sobre a mobilização é confirmada pelo assessor do Núcleo de Recursos Hídricos da secretaria municipal do Meio Ambiente (Sema), João Batista Moreira Souza, 38. ''A limpeza do lago poluído só é possível depois, através de dragagem'', destaca.
Para ele, a impermeabilização do solo contribui para o acúmulo de sujeira nos cursos de água. ''Seria necessário existir um sistema de retenção de sujeira nas galerias pluviais e um aumento da área permeável, para ter a maior infiltração possível'', salienta.
Já a qualidade da água do Ribeirão Cafezal, um dos pontos de captação de Londrina, não é considerada adequada por Souza. ''Acho que (a captação) não deveria ser feita lá'', opina. Segundo a Sanepar, 40% da água consumida em Londrina é proveniente do Cafezal. A maior fonte é o Rio Tibagi, responsável por 54% do fornecimento da água consumida pelos londrinenses. O restante é captado em poços artesianos existentes em pontos isolados da cidade.
A possível existência de esgotos clandestinos é outra preocupante fonte de poluição apontada por Ney Paulo. ''Quando o IAP atende uma denúncia e localiza o infrator, uma multa é aplicada e o dano tem de ser reparado'', destaca o chefe regional do IAP.(F.R.F)





