Pólos regionais desafiam o governo
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Mônica Kaseker 
Os Pólos Regionais de Desenvolvimento anunciados na primeira campanha eleitoral do governador Jaime Lerner ainda não saíram do papel ou, pelo menos, não da forma como foram imaginados. O único pólo concretizado até agora foi o automotivo, na Região Metropolitana de Curitiba. Outros, como o Pólo Têxtil da região Norte, já existiam antes, por vocação própria, e ainda buscam maiores incentivos. O próprio secretário de Estado de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, admite que o Pólo Agroindustrial da região Oeste ainda está por acontecer, com a atração de empresas âncoras que iniciem o processo das cadeias produtivas e de transformação.
Das 164 unidades industriais instaladas desde o início do governo Lerner, 108 ficam num raio de aproximadamente 100 quilômetros de Curitiba. Segundo o governo, isso acontece por livre escolha das empresas e não há como forçar a atração delas para determinado município do interior. Uma montadora, por exemplo, não vai ficar longe do porto e aeroporto internacional, argumenta Sciarra.
O secretário de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, afirma que o desenvolvimento industrial no interior é um projeto a médio e longo prazos. Para conquistá-lo, o governo está melhorando a infra-estrutura, formação profissional e pesquisa tecnológica. Nossa situação já está mudando. Um empresário que antes não queria se instalar no interior por falta de infra-estrutura, agora já pode ir tranquilamente, garante.
Com a chegada da Tafisa, em Piên, o Pólo Madeireiro é o primeiro a receber uma empresa âncora, capaz de incentivar a instalação de outras indústrias satélites. O Pólo Eletroeletrônico do Sudoeste também está para deslanchar, com a instalação de um laboratório para aferição de equipamentos industriais e a capacitação de mão-de-obra através do Centro Federal de Educação Tecnológica.
Em Pato Branco, a implantação do Pólo Eletroeletrônico começou com a chegada do Centro Federal de Ensino Tecnológico (Cefet) no município. De aproximadamente cinco anos para cá, foram instaladas nove empresas na cidade para aproveitar a mão-de-obra formada na escola técnica. Recentemente, o governo do Estado viabilizou o projeto do Centro Tecnológico Industrial do Sudoeste (Cetis) vinculado ao Lactec, laboratório da Copel/UFPR, com verbas do Ministério da Ciência e Tecnologia.
A tradição madeireira no Sul do Estado surgiu há muito tempo e daí vem a fama dos móveis de Rio Negro, onde existem 153 empresas que empregam cerca de 800 pessoas. Mas o pólo madeireiro não cresce de forma concentrada no Sul. Jaguariaíva, Arapoti, Guarapuava e Arapongas também se destacam nas indústrias madeireira e moveleira, todas em diferentes regiões do Estado.


