Polonês rompeu caminhos como publicitário pioneiro
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Jota Oliveira 
Nos ônibus cheios, os viajantes, vendedores de terras, aventureiros espremiam-se nos corredores, de guarda-pós marrons - de cor original ou que ficavam assim. Em meados dos anos 50, também já havia os contatos comerciais de jornais, e anúncios de empresas colonizadoras eram comuns. Foi neste tempo que o polonês naturalizado brasileiro Alfredo Dobrucki, trabalhou no setor comercial da Folha. Um dos seus clientes era Valter Moreira Salles, presidente do Banco Moreira Salles. Valter estava abrindo a cidade de Moreira Salles, no Centro-Sul do Paraná.
Alfredo nasceu em Borszcow, cidadezinha pertencente ao município de Tarnopolskie. Trazido pelos pais, chegou ao Brasil em 1934, diretamente na Warta, em Londrina. No distrito ele aprendeu a ler e escrever em português e polonês. Como outros heróis do passado, ele foi um abridor de caminhos da Folha.
Como também constataria mais tarde o repórter Adauto Patriota, Alfredo Dobrucki enfrentou a precariedade das comunicações à distância como principal problema, ao desenvolver seu trabalho de jornalista e corretor de anúncios. Ele trabalhou na Folha de 54 a 55. Além dos clientes locais e estaduais, ele atendia anunciantes de Rio e São Paulo.
Muitas vezes era preciso esperar dois dias para falar ao telefone com São Paulo. Era mais fácil e rápido pegar o trem e viajar até lá, recorda. Alfredo lembra de bons anunciantes como Viação Garcia (Garcia & Garcia, na época), Mortari, Batistela & Policastro, Jacob Bartolomeu Minatti e os colonizadores Ênio Pipino (Sinop Terras) e Jaime Watt Longo. Recorda-se também de uma cervejaria, a Cayru, do Rio, que fazia anúncios de página inteira.
Ao contrário de outros jornais da época, que recebiam adiantado de anunciantes e às vezes nem publicavam os anúncios, na Folha os anúncios só eram recebidos depois da propaganda publicada. Eu pegava a autorização do cliente e só depois da publicação do anúncio ia receber...
O ex-publicitário recorda que muitas vezes as pessoas assinavam jornal para fazer embrulho, porque muitos nem sabiam ler. Fosse qual fosse o motivo da assinatura, o assinante, muitas vezes, recebia o jornal pelo Correio. Muitas vezes a entrega chegava com dez dias de atraso... se chegava.
A história de Alfredo inclui outros jornais e revistas da região: em 1949 trabalhou em O Município, de Humberto Puigari Coutinho, que também foi proprietário do Paraná Norte; Gazeta de Londrina, revista Panorama, de Adolpho Zotte, e em 58 fundou sua própria revista, Hinterlândia, com o radialista Oliveira Júnior, colaborador frequente da Folha. Alfredo começou tão cedo no ramo de jornal, que é o sócio número 2 da Associação Norte-Paranaense de Imprensa (Anpi), hoje inativa. A Hinterlândia, como outros veículos de comunicação, acabou em 1964.


