Pólo de transporte, a maior obra após a construção de Itaipu
Valmir Denardin
O maior projeto estrutural do Extremo-Oeste paranaense desde a construção da Hidrelétrica de Itaipu deverá transformar Foz do Iguaçu em um dos principais pólos de transportes da América do Sul. Em menos de uma década, o município pretende se consolidar como um centro distribuidor de cargas no Mercosul, quando passará a integrar os principais sistemas de transportes de mercadorias: rodoviário, ferroviário e hidroviário.
A posição geográfica privilegiada é o principal atrativo do projeto. Foz do Iguaçu está exatamente no centro do complexo hidroviário Tietê-Paraná-Rio da Prata (um fantástico conjunto de rios navegáveis com 3 mil quilômetros de extensão, que liga a rica região Centro-Sul do Brasil ao Oceano Atlântico, pelo Rio Paraná, até Buenos Aires e Montevidéu). Além disso, a cidade paranaense fica na metade do trajeto entre os principais centros populacionais e econômicos do Mercosul - São Paulo e Buenos Aires.
Faltam duas obras importantes para a consolidação desse pólo continental de transportes: a chegada da ferrovia à cidade e a construção de um sistema que permita vencer a barragem de Itaipu para a total navegabilidade do complexo Tietê-Paraná-Rio da Prata. No primeiro item, a Ferroeste (sociedade de economia mista cujo controle acionário pertence ao governo paranaense), desenvolve o projeto de engenharia para estender o ramal da Estrada de Ferro Paraná Oeste até Foz do Iguaçu.
Com 179 quilômetros de extensão e custo estimado de R$ 175 milhões, o ramal ligará Foz a Cascavel, onde a Ferroeste chegou no segundo semestre de 1996. Quando a obra estiver pronta, o município estará ligado, por ferrovia, a Paranaguá - um dos maiores portos brasileiros. A previsão é de que, em 2002, a Ferroeste esteja transportando 4,8 milhões de toneladas. Esse volume deverá ser incrementado ainda mais com as futuras extensões da Ferroeste até Guaíra e Mundo Novo (MS).
A consolidação do transporte hidroviário também já está em curso. Desde fevereiro do ano passado, quando o governo paulista inaugurou a eclusa de Jupiá, no Rio Tietê, o único obstáculo para a total navegabilidade do sistema Tietê-Paraná-Rio da Prata - a chamada Hidrovia do Mercosul - passou a ser a barragem da Hidrelétrica de Itaipu.
O Ministério dos Transportes estuda duas alternativas para suplantar essa barreira: a construção de uma eclusa ou de dois portos fluviais (um acima e outro abaixo da barragem, para que as cargas sejam transferidas de uma embarcação para outra, para seguir viagem).
A alternativa da eclusa está praticamente descartada, devido ao custo. A construção de uma estrutura para vencer um desnível de 120 metros custaria cerca de R$ 2 bilhões (17% do valor total da usina). O sistema de transferência das cargas é avaliado em um quinto desse valor: R$ 400 milhões.
São necessários dois portos - um no Rio Paraná, acima da barragem, e o outro no Rio Iguaçu (afluente do Paraná), abaixo da hidrelétrica. Além disso, deverá ser feita uma rodovia, com cerca de 70 quilômetros, ligando as duas estruturas. O porto do Rio Iguaçu deverá ser construído e administrado por empresas privadas. No futuro, todo o complexo poderá ser privatizado.
Segundo o prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), o Ministério dos Transportes já destinou R$ 140 mil para a execução do projeto do Contorno Leste (a rodovia que ligará os dois portos) e solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) para a construção do complexo.
Os sistemas hidroviário e ferroviário se integrarão a uma bem estruturada malha de rodovias que liga Foz aos principais mercados brasileiros e aos países do Cone Sul. A integração permitirá o escoamento da produção do Mercosul tanto para os portos do Atlântico (com destino à Europa, América do Norte e África) e do Pacífico (para o promissor mercado asiático).
O Pólo Intermodal de Transportes de Foz do Iguaçu vai atender o quarto maior mercado do mundo. Hoje o Mercosul integra as emergentes economias de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O bloco abrange uma área de 11,9 milhões de quilômetros quadrados, somando uma população de quase 210 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 860 bilhões.





