Pólo de oposição e resistência
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sábado, 10 de dezembro de 2005
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Aos 71 anos, a jovem Londrina é reconhecida como um reduto de resistência, de oposição, e palco de acirradas disputas políticas. A força da política local rendeu a eleição de dois governadores - José Richa e Alvaro Dias - de uma vice-governadora, Emília Salles Belinati, e de um sem número de senadores e deputados.
Segundo o jornalista Widson Schwartz, que atua na cidade há 35 anos, o oposicismo londrinense ganhou destaque nacional na década de 1970, com o bipartidarismo, decretado pela ditadura, instalada em 1964. Sem eleições, a exemplo de outras capitais, Curitiba tinha-se esvaziado politicamente, com os governadores e os prefeitos nomeados, representando a Arena (Aliança Democrática Nacional). Já o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) crescera no interior, a partir de Londrina, lembrou. Dos 16 candidatos a deputado federal pelo partido em 1974, foram eleitos 15, contribuindo para isso as votações espetaculares de Alvaro Dias (quase 200 mil), de Antonio Belinati (165 mil) e de Alencar Furtado, 110 mil, relata.
Schwartz acredita que esse pólo de oposição teve origem no crescimento da cidade quase independente do governo do Estado. As ações eram muito demoradas quando a comunidade, nas primeiras décadas, tinha pressa.
No entanto, o jornalista salienta que apesar dos representantes londrinenses no governo do Estado, a cidade foi aos poucos isolada. Londrina chega aos 71 anos de emancipação sem o ímpeto político de outrora e recebendo poucos investimentos dos sucessivos governos estaduais representativos de Curitiba, desabafa.
Os governadores curitibanos nunca esconderam a prioridade a Curitiba. A capital sempre teve em cada governador o segundo prefeito. Comparativamente, os governadores que saíram de Londrina fizeram pouco pela própria cidade e o interior. Com isso, ajudaram a isolar Londrina. Na atualidade, a expansão industrial acompanha as rodovias modernas, mas nenhuma chega a Londrina. E não houve alguma autoridade reivindicando, por exemplo, a duplicação da BR-369 até o Rio Paranapanema, para ser interligada com as duas pistas entre Ourinhos e a Castelo Branco. A duplicação da BR-369 colocaria Londrina na ponta da Castelo, em condições de receber indústrias excedentes no território paulista, sugere.
Para o hoje senador Alvaro Dias (PSDB), a politização do londrinense teve origem no movimento universitário. Além de o MDB ter projetado a cidade como oposicionista, as lideranças universitárias sempre atuaram politicamente. Lembro, quando fui vereador, que a maioria dos integrantes da Câmara de Vereadores era oriunda da Universidade de Londrina. E por ser este pólo oposicionista, a cidade sempre elegeu governadores e senadores da oposição. Essa é a marca de independência política que a cidade registra, afirma.
Outro fator - na opinião de Alvaro - para essa politização, é a atuação da imprensa local. Londrina polariza uma região importante que abriga muitos veículos de comunicação importantes. Não só a Folha de Londrina, como grande órgão de imprensa escrita, mas também as emissoras de rádio e televisão proporcionam a oportunidade do debate e da informação. Isso faz com que os moradores da cidade tenham consciência política.
Ao contrário da manipulação, o que há é muita independência e eu percebo isso quando vejo
os eleitores reagindo a determinadas alianças durante as campanhas eleitorais. Há praticamente uma relação direta entre o político e o eleitor de Londrina, que tem dispensado intermediários ao fazer a sua opção. E isso revela politização e independência, diz Alvaro.


