Pela experiência na intermediação com grupos internacionais, o advogado empresarial Bruno Pedalino é cauteloso. Quando existe alguma negociação em andamento, o segredo é guardado a '10 chaves'. Uma visita de executivos à região é um bom sinal, mas para uma grande empresa decidir se instalar em algum lugar são necessários vários outros estudos de viabilidade. E é nessa hora, que uma má impressão pode espantar o futuro investidor. Daí a necessidade do sigilo.
Para Pedalino, os políticos são importantes no processo, mas eles devem ser acionados quando as negociações estiverem adiantadas. A cautela se deve por uma antiga mania de alguns detentores de cargos públicos: a autopromoção. ''A informação, que deveria ser sigilosa, sempre acaba vazando. Os políticos atropelam o andamento natural do processo e isso pode espantar as empresas'', alerta.
Foi o que aconteceu em 97, no episódio da vinda da coreana Kumho, uma das maiores fábricas de pneus do mundo. O anúncio da instalação do grupo foi comemorado pela administração municipal com um foguetório na Praça Marechal Floriano às 6 horas da manhã. Meses depois, a empresa desistiria do negócio por pressões de concorrentes nacionais.
Mas o advogado coleciona conquistas no trabalho de contactar executivos. Ele foi o principal negociador para o desembarque da Dixie Toga (embalagens), Cimplast (embalagens de agrotóxicos), PLM (embalagens e pallets), Plast Pack (embalagens), SICPA (impressão e tintas especiais) e Hexal (medicamentos). (R.J.)

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