Política teve ano agitado
Josoé de CarvalhoCAMPO DE GUERRAMilitares e manifestantes em confronto durante protesto no início de dezembro em LondrinaPolítica teve ano agitado
O fato de não haver eleições em 1999 poderia prenunciar um ano político dos mais calmos. Entretanto, outros fatores acabaram esquentando o clima, especialmente as eleições municipais de 2000. Conforme o calendário eleitoral, os políticos interessados em participar da disputa eleitoral do próximo ano tinham de definir legenda até outubro. Isto provocou uma movimentação intensa nos meses que precederam a data limite.
Na posse do governador reeleito, Jaime Lerner, no primeiro dia do ano, era possível perceber o clima. Desentendimentos que vinham desde o ano anterior, entre o governador e a vice, Emília Belinati, tornaram a posse conturbada. Quase todo o primeiro mês do ano passou em meio a um certo desconforto. Só no fim do mês, às vésperas da primeira (das muitas) viagens de Lerner ao exterior, é que o governador e sua vice acertaram os ponteiros. Entretanto, só em março é que as gestões conduzidas para acalmar as coisas entre os dois se concluíram.
Esta situação tornou possível uma aproximação maior entre o governador e o prefeito de Londrina, Antonio Belinati, que passou quase todo o seu mandato sem partido. Lerner conduziu Belinati a seu partido, o PFL, forçando até mudanças no diretório londrinense da legenda para acomodar o prefeito. Havia muitas arestas, entre as quais a posição do vice de Belinati, Alex Canziani, que se elegeu deputado federal mas licenciou-se para assumir a Pasta do Trabalho no Governo Lerner. Esta escolha, aliás, foi uma das causas do desentendimento entre Lerner e o casal Belinati.
Em agosto Belinati ingressa no PFL. Com isso Alex deixou o partido em setembro, indo para o PSDB. O que acabou provocando a perda da Secretaria, levando-o a assumir na Câmara Federal.
Um incidente, em outubro, envolveu Lerner e o prefeito Jocelito Canto, de Ponta Grossa. Ambos discutiram durante inauguração de uma fábrica de pneus.
E já no quadro das preocupações com as eleições do próximo ano, o TSE mandou revisar os títulos de eleitor em 146 cidades do Paraná.
Denúncias em Londrina Londrina viveu (e vive) um período agitado com denúncias envolvendo a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), e a Comurb. Em abril, o promotor Bruno Galatti apontava irregularidades em contratos da AMA. Era o início de uma série de revelações sobre processos licitatórios fraudulentos, a ponto de, em agosto, o então diretor-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, um dos principais envolvidos, informar ao Ministério Público que os desvios de recursos públicos no órgão atingiam R$ 30 milhões.
Enfrentando tumultos, a Câmara Municipal acabou aprovando a criação de duas Comissões Especiais de Inquérito, para apurar irregularidades na AMA, na Comurb e na própria Prefeitura. As Políciais Civil e Federal investigam o caso. A própria prefeitura se viu na contingência de abrir uma sindicância interna, anunciada na quinta-feira, 23 de dezembro. Pelo menos duas dezenas de pessoas estão sob investigação, além de inúmeras empresas de Londrina e Curitiba. O fim da corrupção chegou a ser pedido em passeata pelo centro da cidade. As denúncias levaram à troca de boa parte do secretariado municipal. A questão deve render mais polêmica em 2000, ano eleitoral.
Ainda no âmbito político, o prefeito de jataizinho, Luiz Sato, foi denunciado, em março, por improbidade administrativa, tendo seu mandato cassado em setembro, decisão confirmada dois meses após, na Justiça.
Em abril, o ex-prefeito de Santa Isabel do Ivaí, Luiz Eduardo Casagrande, foi preso por desvio de recursos. E em junho, o ex-prefeito de Sertanópolis, Edson Pedro de Almeida, foi condenado pelo Tribunal de Justiça por improbidade administrativa.
Fechando o ciclo punitivo, o ex-prefeito de Laranjeiras do Sul, José Augusto Beck de Lima, teve seus bens sequestrados pela Justiça.





