‘‘A política de saúde mental no Brasil é extremamente deficitária. Por exemplo: cerca de 40% das crianças que procuram um médico é por causa do transtorno de deficit de atenção e hiperatividade. Mesmo assim, a maioria dos municípios não fornece a medicação mais usada para tratar o transtorno, a ritalina’’, critica o membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e coordenador do ambulatório de Psiquiatria Infantil da Faculdade de Medicina do ABC (SP), Bruno Coelho.
  Outra situação criticada por Coelho é a extinção de leitos. Segundo a ABP, o fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos sem a oferta proporcional de tratamento na rede substitutiva exclui do atendimento grande parcela dos pacientes. Conforme a entidade, 17 mil leitos teriam sido extintos entre 2002 e 2008.
  Durante a 4ªConferência Nacional de Saúde Mental, em junho, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, admitiu as deficiências indiretamente. ‘‘Precisamos de políticas intersetoriais voltadas à mulher na gestação, na atenção ao parto e na capacidade dessa mãe de cuidar do seu bebê até os 5 anos. É neste período que se estrutura, do ponto de vista biológico e psíquico, o que será o futuro cidadão.’’ Por outro lado, ele reiterou que a reforma psiquiátrica continuará e que a extinção dos manicômios não tem volta.
  Embora haja ‘‘diferenças filosóficas e políticas’’ entre a atuação dos psiquiatras e dos Caps, Coelho reforça que o trabalho conjunto de diferentes profissionais favorece a precisão no atendimento de crianças, pacientes com os quais não se fecha diagnóstico como em adultos. ‘‘Na criança, ocorre interação muito mais intensa entre predisposição e ambiente. Esta interação da genética com a vivência pode influenciar o desencadear de transtorno mental. No berçário, por exemplo, há crianças calmas e outras mais irritadas. Ambas não tiveram convivências ambientais, mas as mais irritadas investigam menos o ambiente e essa é uma característica que predispõe um risco maior para o aparecimento de transtornos de ansiedade.’’ (L.A.)

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