Política de imigração deve ficar ainda mais rígida
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quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Vladimir Goitia<BR>Agência Estado 
A política norte-americana em relação à imigração deve se tornar ainda mais rígida depois do ataque terrorista ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, em Washington. ''Se antes já era difícil, imagina como será a partir de agora'', disse o embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa.
Depois do episódio em Oklahoma, protagonizado por um americano, e do ataque anterior ao próprio World Trade Center, o então presidente Bill Clinton determinou leis rígidas jamais vistas em território norte-americano, que acabaram sendo chamadas de ''antiterroristas''.
O embaixador acredita que é muito cedo para prever o que o governo norte-americano fará, por exemplo, em relação aos mexicanos, que representam a maior corrente migratória para o território dos Estados Unidos. Segundo Barbosa, é difícil imaginar, neste momento, que o presidente George W. Bush venha a apoiar uma pacote de imigração para a legalização de milhões desses mexicanos.
''Acho muito difícil que Bush examine o pedido do presidente Vicente Fox, mais ainda quando o sentimento antiestrangeiro aqui nos EUA possa vir a ficar ainda pior'', acrescentou o embaixador, por telefone de Washington.
O embaixador do Chile em Brasília, Carlos Eduardo Mena, acredita que as relações internacionais sofrerão uma mudança radical depois do dia 11 de setembro deste ano, quando o primeiro jato investiu contra a primeira torre do World Trade Center.
''As políticas externa e interna norte-americanas vão ser revisadas, disso não há dúvida. Mas o maior alvo deve ser a política de imigração'', afirmou o embaixador chileno.
Mena acredita também que a bipolaridade que aparentemente havia desaparecido com o fim da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim poderá voltar a renascer. Mas, desta vez, entre o terrorismo e o mundo ocidental que luta contra ele. ''O que ocorreu ontem, muda a concepção da guerra'', disse o embaixador. Para ele, a guerra não tem mais a ver apenas com questões militares, mas envolve também questões culturais e religiosas. ''Vimos que quem ataca agora está simplesmente disposto a morrer', acrescentou.
Para o ministro Celso Lafer, o que aconteceu nos EUA altera o funcionamento do sistema internacional de maneira muito mais incisiva do que na época da queda do Muro de Berlim. ''A queda do Muro representou perspectivas positivas em relação à convivência internacional porque trouxe o fim da bipolaridade. O que vivenciamos com o ataque aos EUA coloca uma nuvem negra de alcance inimaginável'', afirmou o ministro.
Ainda em relação ao México, país que está perto de ingressar no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o momento não poderia ser pior. De acordo com analistas, é quase certo que esse órgão da ONU tenha de apoiar medidas militares em áreas geográficas onde o México, tradicionalmente, não tem tido ingerência e muito menos interesse nacional.
Desde que o México decidiu fazer parte do Nafta (North America Free Trade Agreement), sempre se soube que o país teria de pagar um custo, não só por apoiar os Estados Unidos mas também por fazer parte hoje do grupo dos países grandes. O México é o único país latino-americano a fazer parte da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Imediatamente depois das primeiras explosões em Nova York, por exemplo, quatro pontes que unem o México aos EUA foram fechadas por medidas de segurança. Inicialmente o governo mexicano havia informado que os EUA haviam ordenado o fechamento das 51 pontes espalhadas nos 3,2 mil quilômetros de fronteira entre os dois países. Mas a medida acabou não sendo aplicada. Apenas houve um reforço no esquema de segurança, com o qual o trânsito entre os dois lados ficou lento. Milhões de mexicanos e norte-americanos cruzam a fronteira a cada ano.
O embaixador Rubens Barbosa acredita, porém, que a maior preocupação do governo norte-americano é procurar pelos autores dos atentados, antes mesmo de tomar quaisquer medidas adicionais sobre a sua política de migração. As autoridades mexicanas também declinam de fazer projeções sobre as possíveis medidas que o governo irá tomar daqui em diante.


