A arte ajuda a desmitificar a figura do policial, segundo a tenente Ariadene Mara Figueiró, da Polícia Militar. Ela diz que o comportamento das pessoas sempre muda quando ela diz ser policial militar. E através da arte ela consegue se integrar mais, fazer mais amizades. ''Você acaba sendo mais comunicativo. É uma forma de mostrar que o policial é um ser humano'', observa.
Ariadene havia feito teatro quando era criança mas a vocação ficou adormecida por causa da dedicação aos estudos e, mais tarde, ao trabalho. Até a matrícula no curso de teatro há um ano, a tenente pesquisou durante dois anos quais eram os cursos de teatro disponíveis na cidade. ''Acabava me enrolando e não fazia a matrícula''. Agora ela está em cartaz no Teatro Lala Schneider com a peça ''O burguês fidalgo'', na qual interpreta a senhora Jordan, esposa do protagonista. ''Na polícia a gente acaba ficando mais endurecida e o teatro abre um pouco a mente'', avalia Ariadene.
Há três anos na reserva (a aposentadoria dos militares), o cabo Pedro Borges sente saudades do tempo em que criava músicas para ensinar às crianças as regras do trânsito, atividade que desenvolvia no Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran). Borges virou personagem de história em quadrinhos em 1997 e, em 1999, publicou o livro ''Cabo Borges - Minha História, Minha Vida em versos''. ''Minha vida profissional foi maravilhosa mas não foi assim desde o começo. Eu era bóia-fria no interior do estado e não me conformava com a situação. Aos 18 anos vim para Curitiba. Eu era meio teimoso na vida e essa teimosia me fez bem'', lembra.
Na Capital, o policial foi condecorado em 1998 com a medalha coronel Sarmento, a mais alta condecoração da Polícia Militar. E no mesmo ano recebeu da prefeitura o prêmio Cidade de Curitiba. ''O livro é um incentivo às pessoas que não acreditam muito na vida. Tem que correr atrás. Nada é impossível nessa vida. Depois do que eu passei, não tem o que alguém não consiga fazer'', defende Borges.
Com a renda do livro o policial poeta conseguiu, ainda, realizar o sonho de conhecer Roma, o Vaticano, Lisboa e Fátima. ''Foi como se Deus dissesse: vou te dar um prêmio'', conta. Além disso, 20% do total arrecadado com a publicação foi doado ao setor de pediatria do Hospital Erasto Gaertner. Para Borges, caso houvesse incentivo muitos outros militares se destacariam em áreas como a arte e o esporte. ''Com certeza tem aí escondido na nossa querida farda muitos escritores. Se dessem mais oportunidade ia aparecer. Tudo o que é bom tem que ser expandido'', conclui. (D.R.)

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