Policiais não podem ter desvio de ordem moral
Curitiba- Os integrantes do Tigre são policiais civis de carreira que, para ingressar no grupo, são submetidos a testes físicos e, além dos treinamentos rotineiros, têm que ser aprovados no curso de operações especiais para atuarem, efetivamente, em campo. A avaliação física é repetida a cada quatro meses.
''Trabalhamos no sistema de voluntariado. Por isso, só está no grupo quem, realmente, quer. E, isso, reflete na qualidade do serviço'', observou o delegado-chefe do Tigre, Riad Farhat, ao explicar que a decisão de entrar ou sair da equipe cabe ao policial, respeitados alguns critérios para a aprovação. ''Ele não pode ter qualquer desvio de ordem moral'', destacou. Além da discrição para manter as atividades em sigilo, o policial tem que estar disposto a se dedicar, prioritariamente, ao trabalho, já que pode ser acionado e deve estar disponível a qualquer momento.
A equipe de elite da Polícia Civil paranaense é referência no Brasil. Tanto que, segundo Farhat, há uma fila de 500 policiais de vários estados, aguardando vaga no curso de operações especiais realizado pelo Tigre. E terão que esperar um pouco mais, pois o delegado adiantou que uma nova turma deverá ser formada, em setembro, mas a prioridade é para os policiais do Paraná para completar o efetivo da unidade. Fahrat disse que só abriu exceção para dois policiais do grupo anti-sequestro de São Paulo, que também farão o curso no mês que vem.
O Tigre trabalha em qualquer situação que envolva reféns e, também, em operações de alto risco. Poderia ser comparado aos famosos grupos de elite norte-americanos - S.W.A.T.(Special Weapons and Tatics), mas Farhat acredita que para a equipe paranaense o trabalho é bem mais árduo - pelas características do crime no Brasil-, o que exige treinamento mais rigoroso.
De 2003 até agora, o Tigre solucionou 27 casos de sequestro e atuou em, pelo menos, outras 54 operações de apoio a delegacias e núcleos especializados da Polícia Civil. O delegado Edward Ferraz explicou que não há registro das ações realizadas até 2002, período em que o Tigre era vinculado ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Esses números, observou ele, também, não representam a totalidade de ações de apoio, pois as ocorrências são registradas pelas unidades que solicitam o reforço e nem sempre pelo Tigre.(A.L.)





