A delegacia de polícia de Doutor Ulysses é de responsabilidade da Polícia Militar (PM), que mantém dois oficiais no município. Porém, nenhum policial quer morar por lá, o que gera uma escala diferenciada: três dias de trabalho por seis de descanso.
No dia em que a reportagem da FOLHA esteve na cidade, somente o soldado Roberto Franco, que mora em Colombo (região metropolitana de Curitiba), estava de plantão. ''O pai do meu parceiro faleceu, por isso, como não tinha mais ninguém para vir, fiquei sozinho'', justificou.
A falta de acesso asfaltado, além de ser um dos fatores que desmotivam os policiais a morar em Doutor Ulysses acaba sendo também a grande ''pedra no sapato'' para o patrulhamento e atendimento às ocorrências. Sem uma viatura adequada para encarar as estradas de terra - a cidade contava somente com um veículo do modelo Parati -, os PMs não conseguem efetuar o deslocamento com a rapidez necessária.
Também acontecem problemas mecânicos que acabam deixando a polícia a pé. ''Há 15 dias teve um assalto em Caraguatá, a 22 km daqui, e não tivemos como prestar atendimento porque a viatura estava quebrada. Na verdade, quem vem para cá fica isolado. Nem o rádio pega'', contou o soldado.
No entanto, segundo o comandante da Companhia de Polícia de Almirante Tamandaré, capitão César Kister, que responde também por Doutor Ulysses, o problema da falta de viaturas foi resolvido na última semana, com o retorno à cidade de uma camionete Hilux que estava em conserto. ''Já havíamos comprado esse veículo, mas ele ficou um mês na cidade e quebrou a suspensão'', informou o capitão.
Quanto ao fato de os policiais não morarem na cidade, ele disse que essa é uma opção dos próprios PMs, que preferem se deslocar até o município para ter uma escala diferenciada de serviço. ''Quase não temos violência em Doutor Ulysses. As ocorrências são raras. É a cidade ideal para quem quer paz. Nossos homens fazem um trabalho mais de manutenção da tranquilidade do que de combate ao crime'', enfatizou.(W.S.)

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