Polêmico Randas vai criar fundação
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Luciana Pombo 
Aos 52 anos, o cirurgião cardíaco Randas Vilella Batista é considerado um dos mais polêmicos médicos brasileiros. Por onde passou, ele deixou a sua marca. Batista se formou em 1972 e passou 12 anos fazendo especializações nos Estados Unidos. Retornou para Curitiba e começou a trabalhar no Hospital Nossa Senhora das Graças, no bairro Mercês. Acabou sendo expulso do hospital. Eles me disseram que eu era um gênio e que aquele era um local para pessoas normais, afirma.
Em 1989, ele foi para o Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Aquele era um hospital de beira de estrada e fizemos dele um dos melhores hospitais em cirurgia cardíaca do País, diz. Em fevereiro de 1998, Batista pediu demissão do hospital, alegando que não concordava com a postura ética da diretoria. Eles estavam cobrando consultas de pacientes carentes, acusa.
Randas Batista não chama a atenção apenas pelo temperamento explosivo. Ele foi o responsável pela descoberta de uma técnica de retirada ventricular parcial (ventriculoctomia parcial) que aumenta a sobrevida do paciente. A primeira cirurgia que fez empregando a técnica foi em 1984, no Hospital Nossa Senhora das Graças. Na época, ele ainda não sabia bem o que estava fazendo. Fiz aquela cirurgia por instinto, diz. Em 1993, Batista voltou a aplicar a cirurgia em humanos, sendo questionado pela classe médica. Quiseram tirar o meu diploma e cassar a minha licença médica, afirma.
A técnica de diminuição do tamanho do coração foi aplicada em pacientes que não tinham mais chances de vida. Eram pacientes que precisavam de transplante urgente, mas sem doadores eles iriam morrer, conta o médico. Um estudo feito por ele mostrou que em 90% dos casos os pacientes saiam vivos da cirurgia; em 80% das cirurgias, eles saiam vivos do hospital; e em 60% dos casos, os pacientes viviam por mais de dois anos. Os meus pacientes não são selecionados, fazemos a cirurgia em todos os pacientes que não têm mais chances de sobreviver de outra forma, diz. Atualmente, os hospitais do Brasil (inclusive o Incor, em São Paulo) utilizam a técnica descoberta por Batista. A técnica é usada também em hospitais dos Estados Unidos e Europa.
Randas Batista está conseguindo agora realizar seu sonho: criar uma fundação para atendimento cardíaco de pacientes do SUS. A Fundação do Coração Vilella Batista já está registrada, mas precisa ser construída. Um grupo da Bélgica já ofereceu a primeira doação para a construção, de R$ 3 milhões. A Fundação terá 300 leitos, será filantrópica e gerenciada por Batista. A previsão é de que ela comece a funcionar no prazo de um ano.


