A polêmica teve início no ano passado. Uma pesquisa arqueológica na área onde a Sanepar está fazendo a barragem Piraquara II, na Região Metropolitana de Curitiba, apontou evidências que poderiam constituir um dos sítios arqueológicos mais importantes do Brasil. Desde então, as discussões sobre o assunto envolvem acusações e informações desencontradas.
O coordenador institucional da organização não-governamental Liga Ambiental, Tom Grando, explica que no local foram encontrados vários itens, como pontas de flechas, crânios de animais (com indícios de espécies de equinos que não existem mais), galhos de árvores que seriam ancestrais, de milhares de anos atrás. ''Este pode ser um dos sítios arqueológicos mais importantes da América do Sul'', afirma Grando.
A recepção à descoberta foi uma movimentação de órgãos do poder público e de outras entidades. Segundo Grando, o Departamento Nacional de Produção Mineral e o Instituto do Patrimônio Histórico e Arqueológico Nacional (Iphan) recomendaram a paralisação das obras.
''As escavações foram interrompidas parcialmente. Mas não houve nenhum esforço subsequente para resgatar o que já havia sido removido e a arqueóloga que coordenou as pesquisas ficou em situação difícil. Soubemos que ela vem sofrendo ameaças'', diz Grando. ''Esse tipo de situação não é novidade. No Rio Iraí, em 1991, a Sanepar revolveu a área para retirar areia e o Banco Mundial até suspendeu o financiamento. O poder público não aprende com os próprios erros''.
De acordo com o procurador de Justiça Saint-Clair Honorato Santos, coordenador do Centro de Apoio às Promotorias do Meio Ambiente, o Ministério Público propôs que o Iphan, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Secretaria de Estado da Cultura organizassem os trabalhos para que fosse realizado o resgate do que foi mexido e para que fossem efetuadas novas pesquisas na área. ''O MP está aguardando para ver se o trabalho vai ser desenvolvido da maneira que foi acertada'', aponta Santos.
A direção do Museu Paranaense informou que no início de março foi realizada uma reunião, com representantes da instituição, da Sanepar, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Iphan, para que se chegasse a uma definição sobre o sítio arqueológico. De acordo com a direção, dentro das próximas semanas deverá ser definido um novo plano de trabalho para a área. A respeito das ameaças à arqueóloga, ligada ao próprio Museu Paranaense, a direção do museu apontou que ''desconhece'' qualquer ação administrativa contra a funcionária.
A Folha tentou por três dias uma entrevista sobre o sítio arqueológico com a diretora de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Maria Arlete Rosa, mas em todas as oportunidades a assessoria da empresa informou que a diretora ou estava em viagem ou em reunião.

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