'Podemos ser movidos a laser, mas usamos gasolina'
Você afirma que deixou de comer há quase três anos. Por que tomou essa decisão?
Por uma questão de consciência. Sei que dessa forma posso atingir a saúde perfeita, além de contribuir para a despoluição ambiental. As fezes e o lixo gerado pelos alimentos são grandes fontes de contaminação do planeta.
Na sua opinião, do ponto de vista orgânico, o que acontece quando a pessoa deixa de comer?
O ser humano que se alimenta concentra-se no sistema digestivo. Eu desativei o sistema digestivo para me concentrar no meu processo cerebral. Vivo do trabalho da hipófise, da pineal e outras glândulas que se realinham quando deixamos de comer. A hipófise produz tudo o que eu preciso, ela é estimulada não só pelo paladar como também pelos outros sentidos. Minha fonte de nutrição é a luz do dia, mas também me alimento dos sons, das cores, dos aromas como a essência do capim-limão que trago nesse frasco pendurado no pescoço para cheirar de vez quando. Tudo isso estimula a hipófise e me satisfaz, sem que eu tenha a necessidade de ingerir quilos de alimentos. Eu me alimento da energia da luz. Também meu estômago diminuiu, atrofiou. Se você me tocar vai sentir que a região do estômago está fechada, ao contrário dos obesos que têm esse órgão dilatado. Quando as pessoas fazem a cirurgia de redução do estômago para perder peso, elas forçosamente diminuem o espaço para ingerir alimentos. Cheguei a isso através de outro método. A alimentação convencional é baseada na energia atômica, material. Podemos usar outras fontes de energia. É como se pudéssemos ser movidos a laser mas ainda utilizássemos a gasolina.
De onde seu corpo retira as vitaminas, as proteínas, os sais minerais, enfim tudo o que nutre a partir dos alimentos?
Da luz.
Quer dizer que, como as plantas, você faz uma espécie de fotossíntese?
Exatamente.
E os líquidos? Eles entram nessa dieta?
Quase não bebo água. Necessitamos da água quando ingerimos o sal, que desidrata o corpo, e os amidos que funcionam como esponjas sugadoras dos líquidos do organismo. Mas bebo sucos de frutas eventualmente, de preferência sucos de laranja e melancia. Isso é raro, mas posso tomar entre 2OO a 400 mls por dia.
Como você tomou conhecimento dessa prática que abole a alimentação?
Já fui vegetariana. Quando eu tinha entre 9 aos 11 anos minha família também foi adepta da macrobiótica. Eu sempre soube que no Himalaia, no Tibet, existem pessoas que vivem sem se alimentar. Mas foi através do livro Vivendo de Luz, da australiana Jamusheen, que reprogramei meu corpo a partir de um processo de desintoxicação que dura 21 dias, depois disso deixei de comer. Isso aconteceu em maio de 1999. Meu marido Steve também adotou a prática.
O que acontece nesses 21 dias?
Os primeiros sete dias foram muito difíceis. Você não consome alimentos sólidos nem líquidos. É como tirar uma muleta do corpo, no caso o alimento, e ordenar para ele: agora anda. Senti fraqueza, tontura, vomitei, tive dor-de-cabeça, irritação. No sexto dia fiquei desfalecida, mas aguentei firme. A partir da segunda semana comecei a tomar líquidos e fiquei revigorada, energizada. Neste período elimina-se as toxinas do corpo, através da urina, da transpiração, das fezes que ainda restam no organismo. Daí comecei a fazer caminhadas, me expor à luz e não precisei mais dos alimentos.
Como é a rotina de você e seu marido, depois que deixaram de comer?
Na verdade, não temos rotina. Não tenho mais relógio biológico. Nossa vida é guiada pela liberdade. Sou artista plástica e escrevo livros, já tenho dois publicados (A Consciência Plena, da editora Record e A Alquimia do Êxito, publicado pela Dunya). Também estou lançando o vídeo Eu Mulher, onde enfoco o ciclo menstrual, a TPM e outros assuntos ligados à vida feminina. Faço o que gosto e Steve também. Ele é músico, formado em composição de jazz e ouvimos muita música em casa, ela também nos alimenta. Steve está pesquisando um cardápio de sons.
Eventualmente você não sente fraqueza física, prostração?
Só quando vou para as cidades grandes, poluídas. Preciso de ar puro, um lugar com boa qualidade de vida. Por isso moro em Parkland, na Flórida (EUA), um local com baixíssimo nível de poluição. Quando estou nas grandes cidades perco energia, sinto-me sugada, vampirizada mesmo.
Quantas pessoas no mundo praticam a não-alimentação?
Cerca de 6 mil pessoas. O Brasil é o país que tem o maior número de adeptos, aproximadamente 3 mil pessoas. Depois vem a Austrália, Alemanha, Polônia, Inglaterra e Portugal.
Pessoas que aderiram a esse modo de vida mas moram em países com pouco sol conseguem se alimentar ou vivem com fome de luz?
A energia que alimenta não é propriamente a da luz do sol, mas a da luz do dia. Mesmo quando está nublado essa energia está presente, ativa.
Você perdeu muito peso nesses três anos de experiência inusitada?
Perdi sete quilos no primeiro ano e depois meu peso estabilizou.
Quando você comia, qual era seu prato preferido?
Gostava de comida japonesa, sushi era meu prato preferido. Hoje não tenho vontade de comer.
Você tem filhos?
Tenho uma filha de 22 anos e vou ser avó.
Sua filha se alimenta?
Sim, ela come.
Se você é mãe, deve ter passado pela experiência da amamentação, sabe que os recém-nascidos são famintos, a fome é instintiva. Então como pode defender a não-alimentação?
Se a mãe come, o filho precisa comer quando nasce. Hoje, se eu tivesse filhos, eles já não precisariam se alimentar, não sou mais como há 22 anos, quando nasceu minha filha. É tudo uma questão da programação do DNA de nossa civilização. O DNA é como um chip, pode ser programado através das gerações.
Quer dizer que se o seu estilo de vida fosse adotado não haveria mais fome no planeta?
Exatamente. Mas a ciência recusa este tipo de informação. Os cientistas, os médicos, os governos não querem saber disso. Se a não-alimentação se transformasse em prática corriqueira, os grandes negócios do mundo, aqueles que dão dinheiro, acabariam. Hoje, a alimentação, a sa© úde, a miséria e a guerra são grandes negócios, rendem milhões.
Serviço: Mais informações sobre a não-alimentação podem ser obtidas no site www.vivendodaluz.com.





