Através do desenvolvimento e difusão da tecnologia do plantio direto, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) conseguiu vencer um paradigma enraizado durante muito tempo nas práticas dos produtores rurais: a aragem e a gradagem da terra. Por anos, essas técnicas agrícolas levaram o solo do Estado junto com todos os agrotóxicos e agroquímicos nele aplicados para os rios paranaenses. Ao propor o plantio sobre a palha, sem revolvimento do solo, a instituição conseguiu não apenas o controle da erosão, mas também o aumento da produtividade.
''O Iapar é referência mundial em plantio direto'', comentou Antônio Costa, diretor técnico-científico do órgão que pesquisa a conservação dos recursos naturais do Estado desde 1976. Segundo o estudioso, a erosão causada por práticas agrícolas inadequadas não diz respeito apenas aos produtores. ''Quando a dona de casa abre a torneira e a água sai turva, tem problema na roça'', disse, explicando que, nesses casos, os dejetos foram levados aos rios pela erosão.
Ao longo dos seus 32 anos de atividade, o Iapar não contribuiu apenas com a conservação dos solos. Nesse período, foram lançados no mercado mais de 100 cultivares de arroz, algodão, feijão, café, trigo, cereais de inverno e culturas alternativas. O zoneamento climático indica, para todo o Estado, as melhores épocas de plantio. O Programa de Recursos Naturais propõe o plantio de espécies florestais para produção de madeira e a preservação da mata em áreas de proteção permanente com possibilidade de exploração econômica. ''O plantio de seringueiras e palmitos, que podem ser comercializados, quebram a resistência do produtor em manter as reservas naturais'', disse.
Outra conquista importante foram as pesquisas que viabilizaram o manejo do cancro cítrico e a posterior retomada da produção de laranja no Estado. Em 1976, as áreas plantadas com a fruta eram erradicadas e queimadas. Hoje, o Paraná tem 30 mil hectares cultivados e três indústrias processadoras duas em Paranavaí e uma em Rolândia que exportam suco concentrado para diversos países da Europa.
A consciência sobre a importância da pesquisa para o setor agropecuário do Estado sensibilizou um grupo de pesquisadores que, mesmo aposentados, continuam a trabalhar voluntariamente no Instituto. É o caso de Luiz Alberto Cogrossi Campos, no Iapar desde 1975. Ele trabalha com melhoramento genético de trigo e participou ativamente do processo de desenvolvimento e lançamento de 26 cultivares do cereal e cinco de triticale. ''Cada variedade leva mais de dez anos para ficar pronta'', comenta.
Sobre a decisão de continuar trabalhando, após a aposentadoria no ano passado, ele afirmou que se trata de um compromisso com a pesquisa. Como o Instituto não contrata novos pesquisadores há mais de dez anos, Campos se sente responsável pela manutenção dos estudos e testes que tanto contribuem para a triticultura do Paraná. Deixar a atividade não está nos seus planos a curto prazo. ''Vou ficar até novos pesquisadores serem contratados. Depois disso, ainda terei repassar toda a experiência e informações que acumulei. Isso deve levar uns cinco anos'', contabiliza.

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