Planta nativa afrodisíaca move o 1º ciclo industrial
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de dezembro de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
Uma planta nativa do Estado, que só ocorre em 5% do território brasileiro e à qual os índios atribuíam propriedades terapêuticas e até afrodisíacas, possibilita o nascimento da indústria paranaense. A erva-mate direciona a colonização para o interior, justifica a extensão da ferrovia entre o litoral e o Planalto e cria uma elite econômica no Estado, cuja fortuna nasce nos engenhos e fábricas de beneficiamento. Algumas dessas famílias como a Leão Júnior, fundada em 1901 e que hoje responde por 86% do segmento de mate no País consolidariam seu patrimônio ao longo do século.
Por mais de 100 anos, a erva-mate foi o principal produto de exportação do Paraná e sustentaria sua economia até o fim da República Velha (1930). Esse ciclo atinge seu auge nas décadas de 10 e 20. Em 1928, o Estado responde por 86% das 88.180 toneladas exportadas pelo Brasil. Vinte engenhos, espalhados entre o Litoral e o Centro-Sul do Estado de Paranaguá a Guarapuava trabalham a todo vapor para garantir o chimarrão e o chá de argentinos, chilenos e uruguaios, principlamente. Catorze desses engenhos estão em Curitiba, cujas chaminés dão um cheiro característico à cidade.
O apogeu do mate paranaense é fruto de uma guerra continental. Até meados do século 19, o Paraguai era o maior exportador do produto na América do Sul. Com a Guerra do Paraguai (186470), envolvendo a aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai, patrocinados pela Inglaterra, contra o Paraguai, esse país foi impedido de utilizar os rios Paraná e da Prata para escoar sua produção. Aí nasceu a chance paranaense.
Por iniciativa de empreendedores como Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, o Paraná aperfeiçoa as técnicas rudimentares adotadas pelos paraguaios. Implanta máquinas a vapor para moer as folhas e talos da árvore. Encontra meios para vencer as limitações geográficas e a ausência de estradas ou ferrovias nos rincões extrativistas: o Rio Iguaçu é a via utilizada para o escoamento da erva sapecada até os engenhos de beneficiamento, concentrados em Curitiba e no Litoral.
Ao longo de décadas, a exportação do mate alimenta os portos de Antonina que, até 1930 seria o principal do Estado, e Paranaguá. Até a inauguração da ferrovia, em 1885, o mate descia a Serra do Mar rumo à exportação em lombos de mulas ou carroças puxadas por cavalos.
A partir da década de 30, com a intensificação do desmatamento provocado por um novo ciclo econômico a exploração madeireira os pinheirais, hábitat da erva-mate, começam a ser dizimados. As tentativas de cultivo da árvore encontraram dificuldades. Com a derrubada das florestas, o extrativismo começa a dar lugar a plantações tecnificadas.


