''Uma cidade não se faz de um dia para outro, é um somatório de projetos, ações, insistência e capacidade dos governantes em dar continuidade aos trabalhos já encaminhados'', acredita Mauro Magna Bosco, coordenador de projetos urbanísticos do Instituto de Pesquisa e de Planejamento Urbanístico de Curitiba (Ippuc). Na opinião dele, mais de 40 anos de planejamento norteado pelo plano-diretor vêm sendo acumulados numa série de melhorias urbanas, que, hoje, apresentam uma imagem bem consolidada de cidade organizada, limpa, arborizada e que oferece boa qualidade de vida para a população.
''Há quatro décadas Curitiba era uma cidade passagem, de pouso para quem estava indo de São Paulo para o Sul. O que existia de mais fantástico aqui era a araucária. Com o trabalho de planejamento Curitiba galgou o respeito e a atenção das pessoas que visitam a cidade para conhecer sua estrutura e pontos turísticos famosos no Brasil inteiro'', disse Bosco, se referindo ao Jardim Botânico e a Ópera de Arame, por exemplo.
''O diferencial de Curitiba é que as pessoas viajam até aqui para conhecer seu planejamento urbano e os elementos considerados são o sistema de transporte, qualidade de vida, limpeza, a relação com os imigrantes, etc. Ninguém vai a Foz do Iguaçu para conhecer a cidade, mas as cataratas, o atrativo natural'', compara o arquiteto. ''A limpeza chama muita atenção porque a própria população comprou a idéia e separa o lixo em casa, colaborando para que a coleta seletiva funcione realmente'', conclui.
O plano diretor da cidade, baseado no tripé uso do solo, sistema viário e sistema de transporte foi criado em 1975 e permitiu a continuidade dos projetos urbanos, mesmo com interrupções de gestões administrativas. ''É uma cidade muito simples, mas que acabou recebendo um incremento forte pelo planejamento afinado com o plano diretor, que é uma bíblia, uma cartilha dentro da cidade. E o Ippuc é o elemento agregador de tudo isso'', raciocina.
Outro fator importante é a credibilidade que o serviço público adquiriu junto a população. ''As queixas maiores são relativas a serviços que não são da ossada do município. É muito difícil um curitibano falar mal da cidade, só se for muito mal humorado'', brinca Bosco, pontuando que existe uma dívida do município com a preservação da malha hídrica. ''Rios como Belém, Juvevê e parte do Barigui estão poluídos, um efeito colateral do crescimento urbano. Como planejador público, digo que me causa um desconforto esta mácula no planejamento da cidade'', disse o arquiteto, informando que a prefeitura já dispõe de um projeto para recuperação dos rios e córegos. (F.G.)

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