Planejar uma cidade é privilegiar a qualidade de vida dos cidadãos de hoje e de amanhã. Tanto é assim que o planejamento realizado pela Paraná Plantations, e continuado pela Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), ainda repercute de forma eficiente na região, como concordam especialistas ouvidos pela FOLHA.
''O planejamento (feito pelos ingleses) privilegiou as condições topográficas, considerou as distâncias, preocupou-se com a existência de água - verificaram todas as micro e grandes bacias da região. E em função dessa base topográfica fizeram um planejamento de forma a não faltar estrada nem comida e que tivesse uma interligação regional entre as cidades, porque a dificuldade de transporte era grande à época'', avalia a geógrafa e pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina, Yoshiya Nakagawara Ferreira. ''Isso tudo, mais a terra excelente, atraiu as pessoas.''
Ela concorda que o empreendimento teve também aspectos negativos mas ressalta que mundialmente é difícil encontrar algum outro exemplo tão bem sucedido de urbanização de área tão extensa - mais de 500 mil alqueires paulista - como a que ocorreu na região.
Essa base, segundo exemplifica o secretário de Planejamento de Maringá, Jurandir Guatassara Boeira, permanece latente na cultura das pessoas, ''que sentem orgulho em morar numa cidade planejada''. ''Uma cidade mal planejada é cidade de alto custo, pois gera ônus para a administração e para as pessoas, em termos, inclusive, de qualidade de vida. Acesso à saúde, facilidade de deslocamento, atenção ao meio ambiente... São coisas que as pessoas não computam no dia a dia mas que fazem diferença. Se entendessemos isso, o índice de satisfação das pessoas seria muito maior. O que explica, por exemplo, o fato de em Maringá não haver favelas? Isso é fruto de uma atenção e cuidado de sucessivas administrações.''
Guatassara avalia que o desafio para as cidades é justamente manter o controle do desenvolvimento para assegurar essa mesma qualidade para as futuras gerações. Neste sentido, um outro entusiasta do projeto britânico, o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Carlos Hirata, admite que ainda há muito a ser feito. Ele aposta, porém, que uma das saída é engrenar um ritmo ''que busque a afinação entre a vontade da população das cidades em continuar se desenvolvendo com qualidade de vida e respeito às questões ambientais rumo a um crescimento mais qualificado''. (L.A.)

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