Os dois agentes da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) estacionam o veículo e olham a placa como se fossem um leitor da Folha de Londrina que acabara de encontrar um erro de português em sua leitura do jornal. Eles olham de novo, e confirmam com a central: as informações estão corretas. É isso mesmo: proibido estacionar das 20 às 7 horas. ''A placa foi até boa para nós'', comentou François Fournier, 45, dono do café, panificadora e confeitaria Delices de France, que fica na esquina da Avenida Sete de Setembro com a Lindolfo Passos, rua que carrega dois dos signos peculiares desde 2004 segundo dados da lembrança do comerciante. O francês, que mora há 12 anos em Curitiba, reclama, porém, de como se deu a mudança. ''Da noite para o dia, sem aviso prévio, proibiram o estacionamento aqui em frente. Perdi, assim, 30% do movimento.''
Dois meses depois, a pedido do comerciante, a Diretran colocou as placas, o que permitiu o estacionamento durante o dia e reduziu a dor de cabeça de Fournier. Ele, porém, não tem registros do pedido que diz ter feito à diretoria de trânsito da cidade. A assessoria de comunicação da Diretran lembra que a Lindolfo Passos não é a única rua contemplada com essa regulamentação. As placas são colocadas, geralmente, a partir de um pedido da comunidade: basta ligar ao 156, número que já recebeu 10 mil solicitações ligadas à engenharia de trânsito desde janeiro de 2005. A partir disso, é feita uma avaliação técnica. As ruas da cidade que têm as placas com proibição de estacionamento à noite são aquelas nas quais a vida noturna incomoda os moradores da região. ''São as áreas em que a turma pára o carro e liga o som alto'', explica a assessoria, que cita a rua Gonçalves Dias, na altura da Escola Estadual Dom Pedro II, como um dos exemplos. Lá, as placas indicam a proibição de estacionamento no intervalo entre 21 e 6 horas.

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