Rosaldo Pereira, 60, é o DJ. Veste um chapéu que não é o que ganhou de Sérgio Reis. ‘‘O cantor me deu um de presente. Quando visitou o clube me entregou e disse: ‘Rosaldão, esse é para te dar sorte’.’’ O original queimou junto com toda a estrutura do clube, em 2006, quando funcionava na Travessa da Lapa. Naquela época, o espaço recebia mais de 700 pessoas nos dois salões. Pereira não tinha seguro e estima suas perdas em R$ 600 mil. Alguns suspeitam de incêndio criminoso, mas ele acredita na sugestão dos bombeiros: curto circuito na cozinha. ‘‘O duro foi que era a única parte que faltava reformar. Já tinha comprado tudo: cimento, encanamento, azulejos. A reforma seria no final do ano’’. O incêndio chegou pouco antes, em setembro.
  O atual endereço na Barão do Rio Branco 580, comporta menos pessoas. No último domingo, foram 156 homens e 182 mulheres.
  Os trajes são variados, mas o que chama mais atenção é o do gaúcho que se veste com as cores do Internacional. ‘‘Você quer o nome artístico ou de batismo?’’, questiona o homem de bombacha, bota branca e faixa vermelha na cabeça. ‘‘De batismo, sou Joel Pereira. Mas me conhecem como Xirú Pampeano. Sou uma lenda viva.’’ Ele explica. É uma lenda, pois é tataraneto de Sepé Tiarajú, um índio que teria protegido a fronteira oeste do Rio Grande do Sul.
  Xirú é professor de dança gaúcha e dançarino dos bons. Atravessa o salão, sempre renovando os parceiros. Não nega fogo. ‘‘Pode ter 40, 50 ou 100 anos, eu vou aceitar o convite da prenda e dançar.’’ Pouco depois, explica que não convida as ‘‘prendas’’, pois já viu muitas delas rejeitando pedidos no salão. Xirú dá aulas há 24 anos. ‘‘Já viajei o País todo. Mas o povo que dança pior a dança gaúcha é o curitibano.’’ O vanerão, vanera e bugil, que segundo o professor originalmente são dançados no compasso dois e dois, em Curitiba são no dois e um. ‘‘É uma falsificação.’’ (R.U.)

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