Pioneiros valorizam o presente
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Luciano Augusto
Reportagem Local
Eles cresceram com Londrina. Toparam as adversidades, viveram as alegrias, choraram com as derrotas mas não esmoreceram e hoje, comemoram junto com a cidade mais um ano de história. E o mais importante: sem temer o futuro.
O advogado, contabilista, jornalista e professor Nelson Curotto, 82, chegou um piá a essas terras. Veio de São Paulo junto dos pais e mais quatro irmãos em 1939. Trabalhou na serraria do pai, Adolfo, dirigiu caminhão com lenha, estudou, formou-se contador e advogado, casou com a também filha de pioneiros, Ermides Mansano Curotto, com quem teve três filhos que já lhes deram 11 netos. Nossa juventude era muito boa. A gente ia com os amigos para a avenida Paraná (atual Calçadão) e ficava vendo as meninas andarem para lá e para cá. Depois a gente escolhia uma (risos). Foi como conheci minha senhora, brinca com sabedoria.
Hoje, o casal olha para a cidade que conheceram rodeada por cafezais e confessam que nem se dão conta dos anos que se passaram. A gente cresceu junto com Londrina. É como acontece com os filhos: você está com eles diariamente e não percebe que eles crescem. Quando vê eles estão com 10, 20 anos. A mesma coisa é com a cidade, diz Nelson. A esposa completa: Londrina se tornou uma metrópole. E é valorizando o presente que eles vão vivendo um dia de cada vez, sem se preocupar com o futuro.
Três anos antes da emancipação de Londrina, o pedreiro Manoel José dos Anjos chegou com a esposa para trabalhar na construção da estrada de ferro. Teve sete filhos aqui. Um deles o administrador Camilo Pereira dos Anjos, que hoje conta 71 anos e é presidente do Lions Igapó. A família, recorda Camilo, morava no Centro e tinha uma vida digna mas sem qualquer luxo. Trabalhavam muito mas o futebol era sagrado. Nos estudos, quem ia concluindo ajudava os outros a se manter na escola para que todos tivessem melhores oportunidades.
Camilo se casou, teve um casal de filhos, morou vários anos em Cambará e retornou para a terra natal em 1995. A cidade cresceu e continua crescendo. Eu que conheci Londrina quando ela acabava logo ali na J.K., hoje me surpreendo mas não penso que era melhor antes do que agora. Nossa época é hoje, o momento é hoje. A única coisa que sinto falta é dos amigos que já se foram, diz emocionado.


