Pioneiros confiaram nos colonizadores
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quarta-feira, 25 de junho de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Álvaro Orsi/Especial para a FolhaO advogado Joaquim Bastos com a esposa Elza: desde os tempos difíceis Em maio de 1960, Joaquim Bastos aportava em Umuarama, fundada cinco anos antes, e que já fervilhava de gente. Com um diploma de bacharel em Direito e casamento marcado, Bastos deixou a família em Cambará e a noiva Elza, em Londrina, para começar a vida na cidade que prometia se transformar num grande centro urbano. Ele escolheu Umuarama porque tinha sido fundada pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Havia muita confiança naquela companhia, porque os projetos de colonização dela eram sempre um sucesso, recorda.
Bastos se casou em julho de 1960, mas só trouxe a mulher no final do ano porque precisou fazer a casa antes. Não havia moradias para alugar. Quem queria morar em Umuarama, tinha que construir. A casa, de madeira, foi construída na Zona 1, o primeiro loteamento residencial aberto na mata. A cidade era pequena, mas já havia muitas casas e estabelecimentos comerciais. O pioneiro ainda lembra do primeiro cliente, José Sorassi, dono da extinta Serraria Bandeirantes. A cidade era fértil em causas cíveis e comerciais, devido ao grande número de contratos de compra e venda de imóveis.
Tração nas 4O conhecido advogado nunca atuou na área criminal, mas desmistifica a fama de uma Umuarama violenta no início da colonização. A cidade era bem pacata, garante. Brigas violentas e crimes brutais aconteciam muito em outras cidades da região. Bastos conta também que a maioria das famílias que chegavam a Umuarama já estava no Paraná. Havia muitos descendentes de italianos, alemães e japoneses, além de paulistas e nordestinos que já haviam tentado se estabelecer em outras regiões do Norte do Paraná.
Difícil para os mais jovens é imaginar, hoje em dia, a cidade sem luz, água, estradas, asfalto. Viajar até Londrina (302 km) era uma aventura que podia durar até dez horas. Em dias de chuva, só trafegavam os antigos jipes e caminhões com tração nas quatro rodas. Como era difícil transitar por terra, o trasporte aéreo era bastante requisitado. Nos anos 60, Umuarama chegou a ter até 14 vôos diários, de diversas empresas, que saíam sempre lotados. O aeroporto, que fica no mesmo lugar até hoje, foi construído numa das primeiras clareiras abertas na mata pela Companhia.


