Simone GirotoMounumento urbano homenaageia a inventividade dos pesquisadores e dos produtores rurais ‘‘O solo é o maior patrimônio de uma nação. Conservá-lo é investir no futuro’’. A frase está numa das placas colocadas junto a um monumento que, na maioria das vezes, passa despercebido dos visitantes da Praça Bento Munhoz da Rocha (Praça do Fórum), de Campo Mourão. O ‘‘estranho’’ monumento colocado sob a placa também não chama mais a atenção. Mas quem olhar bem as placas, vai ver que ele foi colocado no local para marcar o lançamento nacional do Programa de Conservação de Solos de Qualidade da Água, em 4 de setembro de 1976.
O monumento representa uma enorme fatia de solo, em forma de metal. Numa das faces, aparece uma superfície irregular e entrecortada por uma grande rachadura. Numa outra face, o que aparece é um solo cuidadosamente trabalhado e nivelado em curvas. Por fim, uma terceira face apresenta a água entalhada em alto relevo, numa porção de gotas de diversos tamanhos. Mais importante que o monumento e o pioneirismo do programa, no entanto, são os resultados conquistados pelos produtores da Microbacia do Rio do Campo.
Desde 1976Curvas em nível atravessando propriedades, construção de terraços, murunduns, readequações de estradas, reflorestamento e conservação de matas ciliares se tornaram cenas comuns há mais de 20 anos, dentro de um processo que buscou a recuperação, conservação e qualificação do ambiente produtivo. O trabalho iniciado em 1976 nunca parou. Pelo contrário, intensificou-se na década de 80 com o plantio direto e o controle da poluição através da construção de abastecedouros comunitários.
A Sanepar, que abastece a cidade com água do Rio do Campo, foi uma das primeiras a perceber os efeitos positivos do trabalho realizado na microbacia. Segundo levantamentos da estação de tratamento da companhia, os índices mensais de turbidez da água captada no rio, que chegaram a 285 NTU (Nephelomepric Turbidity Unit) no início dos anos 80, caíram para cerca de 30 NTU. Isso significa que a água ficou quase dez vezes mais limpa. Na prática, isso permitiu com que a Sanepar reduzisse o índice de sulfato de alumínio e baixasse o custo com o tratamento.

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