Pintando a Liberdade, uma oportunidade para os presos
Programa paranaense que ocupa mão-de-obra de presidiários virou referência para o Brasil e vai começar a ser implantando em outros 20 Estados
DivulgaçãoPresidiário ao lado das bolas produzidas: oportunidade de trabalho e auxílio às crianças carentesO governador Jaime Lerner e o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, assinaram em maio a renovação do convênio entre o Governo do Paraná e o ministério para manutenção do programa Pintando a Liberdade. O convênio prevê o repasse de R$ 513 mil do Governo Federal para a Paraná Esporte, autarquia ligada à secretaria de Esporte e Turismo, que coordena o projeto no Estado. A continuidade deste programa é muito importante. Ele já é modelo para todo o País e uma excelente alternativa para reintegrar os presidiários à sociedade, disse o governador.
Os recursos federais, que serão complementados por outros R$ 128 mil do Governo do Paraná, vão servir para a compra da matéria-prima usada pelos detentos do sistema penitenciário paranaense para a fabricação de material esportivo, que é destinado a crianças carentes de todo o Brasil. Na parceria entre Estado e União, iniciada há dois anos, o Governo Federal financia 75% do projeto e o Estado do Paraná é responsável pelos outros 25% dos recursos necessários para o desenvolvimento do programa.
O Pintando a Liberdade foi criado em 1995 pela Secretaria do Esporte Turismo e, em 97, ganhou a adesão do Governo Federal, através do Ministério Extraordinário dos Esportes, então dirigido pelo ex-jogador Pelé. Hoje, o programa emprega 280 detentos da Prisão Provisória do Ahú, da Colônia Penal Agrícola e da Penitenciária Feminina, além de presos de delegacias e cadeias de Ponta Grossa, Cascavel, Foz do Iguaçu e Rio Negro. Cada um deles recebe um salário, que varia entre R$ 180,00 e R$ 300,00 e tem a pena diminuída em um dia para cada três trabalhados. Os detentos estão aprendendo um profissão que certamente vai ajudá-los quando deixarem a prisão. Hoje vários ex-presidiários já vivem do conhecimento adquirido no Pintando a Liberdade, disse o governador Jaime Lerner.
Os detentos confeccionam bolas de futebol, futsal, vôlei, redes, camisetas, calções e bolsas. O material é distribuído a escolas públicas e entidades de assistência à criança carente através do programa Comunidade Solidária. No ano passado, mais de 280 mil crianças carentes de todo o Brasil receberam o material confeccionado pelos presos do Paraná. Este ano, a meta é atender outras 220 mil crianças e jovens. Enviamos material para entidades dos 27 Estados brasileiros, informa Roberto Canto, criador do programa.





