Pimenta, pimentinha, pimentão...
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de outubro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Final de ano realmente é uma delícia. Quando estamos em férias durante este período então, é muito mais gostoso, pois podemos passear até tarde e o clima agradável é um atrativo a mais para se reunir com os amigos à noite. Na semana entre Natal e Ano Novo, um animado grupo de amigos que estava em Curitiba aproveitou a noite para tomar um chope e colocar a conversa em dia. E assim foram a um tradicional bar da cidade. O pessoal ao redor da mesa, alguns chopes e já retomaram a amizade com o garçom, iniciada na última noitada.
Lá pelas tantas, o rapazinho mais novo mostra por baixo da mesa seu mais novo instrumento de defesa. "Olha aqui, comprei um spray de pimenta", conta mostrando o recipiente pequeno e cilíndrico. "Mas por que você comprou uma coisa dessas?", perguntou uma amiga. "Pelo amor de Deus, piá, não me vai espirrar isso aqui de jeito nenhum", alerta o amigo. "Susse, cara."
"Quem dera que a noite terminasse susse", pensaram o rapazinho e seus amigos, depois que chegaram em casa nervosos e com muito medo. O casal amigo foi embora depois de esperar um pouco no apartamento do jovem e os que ficaram esperavam apreensivos pela ligação dos amigos avisando que já estavam a salvo.
Aconteceu que no final da noite, mas no final da noite mesmo, quando o pessoal se preparava para deixar o bar, um dos jovens aproveitou para ir ao banheiro. Quando já estava de saída, percebeu que o rapazinho estava na porta e simplesmente colocou sua mão em direção ao centro do recinto. Um, dois segundos foi o tempo suficiente para que todo o ambiente ficasse infectado. Além do jovem, outro freqüentador do bar estava no banheiro e foi a primeira vítima, pois o jovem já sabia do que se tratava e protegeu seu rosto com as mãos.
Em poucos minutos a atmosfera ardida de pimenta tomou conta do bar. Podia se ouvir várias pessoas tossindo ao mesmo tempo, insistentemente. E não escapou os amigos do rapazinho, e pior, o dono do bar, que manipulava a máquina dos cartões de crédito com apenas uma das mãos, enquanto a outra cobria o nariz e a boca. Todos perdidos, sem entender o que aconteceu e saindo rapidamente do bar.
Achando que iriam escapar ilesos, o rapazinho e seus amigos que foram apresentados ao spray de pimenta no início da noite, pegaram uma carona com um casal amigo. Logo perceberam que atrás deles vinha um carro com o freqüentador do bar que estava no banheiro, foi alvejado pelo conteúdo do cilindro e ficou com os olhos cheios de lágrimas. A perseguição durou algum tempo. Nervosos, eles tentaram escapar por ruas transversais e quase bateram o carro em um cruzamento. Foi aí que se livraram dos perseguidores.
Esperaram um pouco e a amiga do rapazinho ligou para o casal que deu a carona. Uma brincadeira sem graça. "Eles ainda estão atrás da gente, estamos no Boqueirão", tentou enganar o amigo, e finalmente tudo estava bem. Depois disso cada um foi para um canto dormir, ainda sem conseguir rir do episódio, que rendeu ao rapazinho repreensões muito tempo depois.


