Os piercings estão na moda. Com a chegada do verão, o uso torna-se ainda mais comum. O apelo estético dos enfeites está seduzindo todo tipo de gente. A beleza é apontada como a principal motivação para quem o usa. Antes considerado símbolo de rebeldia e contestação, hoje é um acessório da vaidade masculina e feminina. Os profissionais do ramo dizem que não há mais perfil entre os adeptos dos enfeites. O cuidado com a higiene e a qualidade dos equipamentos contribuiu para a disseminação da prática em todo o País.
''Acho que os pais estão mais liberais até porque as pessoas que trabalham com isso estão mais confiáveis'', opina Mauro Montezuma, 25 anos. Profissional da área há três anos, ele destaca que os cuidados para quem quer perfurar o corpo vai desde a escolha correta do tipo de enfeite até a certeza sobre o local onde a pessoa pretende colocar a peça de metal. Em seu estúdio no Centro de Londrina, Montezuma procura conversar muito com os clientes antes de fazer a perfuração. Outro conselho é para que os pais visitem a loja escolhida pelos filhos para conferir a qualidade e segurança do trabalho.
Antes, o uso era praticamente restrito a tribos de contestadores, como roqueiros, metaleiros e punks. Os primórdios da prática, no entanto, são ainda mais antigos. A história revela que o body piercing vem sendo praticado por mais de cinco mil anos, como expressão pessoal, ritual espiritual e distinção de realeza.
As primeiras tribos e clãs que usavam piercing eram da América do Sul e África, entre outras. Nos séculos 18 e 19 eram usados pela classe média e aristocracia. Após declínio no início do século 20, a prática voltou com o movimento underground e disseminou-se com vigor na década de 90.
No Brasil, o body piercing cresceu a partir do ano 2000. ''Depois que a tatuagem passou a ser mais divulgada pela mídia, tanto o piercing quanto a tatuagem cresceram'', constata Róbson Budernik, 27 anos, que trabalha no ramo há um ano. A profissionalização do setor é visível. Em vez de estúdios sujos e mal-cuidados, as lojas de tatuagens e piercings zelam pela qualidade e higiene.
A assepsia é importante e imprescindível para evitar contaminações e doenças. O cliente normalmente é obrigado a preencher um termo de responsabilidade e responder um questionário sobre as condições de saúde. Uma das informações pedidas, por exemplo, é se a pessoa é portadora de diabetes ou hemofilia. Em certos casos, é exigida autorização por escrito de um médico. Os menores de idade precisam também da anuência oficial dos pais ou responsáveis.
O cabeleireiro Marcos Anselmo de Oliveira, 31, colocou um piercing no supercílio. ''A principal razão é por achar bonito'', revela. Ele disse que alguns frequentadores do salão de beleza elogiam o adorno, mas não pretende colocar outros piercings. ''Acho que estou mais na idade de começar a tirar'', diz.

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