Ser livre para aproveitar a vida enquanto solteiro, pode ser bom e prazeroso para algumas pessoas, mas, a vida a dois tende ser muito mais saudável e feliz. Pelo menos é o que comprovaram os pesquisadores Lois Verbrugge e James House, da Universidade de Michigan, da cidade de Detroit, Michigan, nos Estados Unidos. Segundo eles, as pessoas que têm casamentos felizes vivem mais tempo e têm mais saúde do que as que são divorciadas ou infelizes no casamento.
Verbrugge e House afirmam que esses casais apresentam uma taxa muito mais baixa de doenças cardíacas, enfermidades físicas, pressão arterial elevada ou distúrbios psicológicos. Para os cientistas, isso se deve principalmente ao fato de que os cônjuges se mantêm atentos um ao outro na rotina de exames médicos, medicamentos, alimentação nutritiva e assim por diante.
Estatísticas do registro civil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o número de casamentos realizados no Brasil em 2004 aumentou em 7,7% em relação a 2003. Só no ano passado, foram 806.968 casamentos, o maior número desde 1994.
A psicóloga Ivana Maria Campagnolli, que atua na área hospitalar e também trabalha com terapia de casais, explica que alguns dos fatores que tornam as pessoas casadas mais felizes são os contatos afetuosos e amorosos que um companheiro recebe do outro. ''O contato na pele desencadeia uma sensação de apoio, conforto, companheirismo, proteção em qualquer circunstância da vida. Não é só com os casais que ocorre isso, mas com qualquer pessoa que recebe carinho'', diz ela.
A ausência de contato físico entre os companheiros pode trazer como consequência o isolamento e a perda da percepção do amor. Segundo a psicóloga, a necessidade de amor, afeto e segurança está dentre as necessidades emocionais primárias do homem.
''A necessidade de contato físico na infância, permanece por toda a vida, despertando no homem o sentimento de estar vivo. O primeiro meio aonde as pessoas podem aprender a tocar-se é no seio da própria família e é lamentável que justamente nessa esfera que elas aprendem a não tocar e ser tocadas'', ressalta Ivana.
A pesquisa feita em Michigan também mostra que um bom casamento pode manter o cônjuge mais saudável por beneficiar diretamente seu sistema imunológico, o qual é responsável pela defesa do corpo contra doenças.
Ainda assim, a pesquisa reforça que não é saudável manter um mau casamento por amor aos filhos, por exemplo. Um divórcio pacífico é melhor que um casamento em clima de guerra. ''Se o casamento não está feliz, é importante que a pessoa trate isso. Até os casais felizes têm problemas, a questão é como eles lidam com isso'', salienta.
A importância do toque - Um contato afetuoso na pele pode proporcionar sensações saudáveis no organismo. Uma dessas sensações é a de segurança que contribui muito para a qualidade de vida de um indivíduo quando tocado com carinho por uma pessoa. A neurologista Mônica Marcos de Sousa explica que o afeto saudável é inato do homem e que toques como o abraço, o aperto de mão ou o beijo deixam as pessoas confortáveis e em paz.
''Quando uma pessoa é tocada, vias sensitivas são estimuladas ativando o sistema límbico que é ligado a sensibilidade. Por isso quem é tocado acaba tendo uma sensação de conforto. Ativada a emoção do cérebro, a pessoa sente sensação de apoio maternal e segurança''.
Segundo Mônica, o abraço libera o hormônio oxitocina, que é o mesmo hormônio liberado quando a mulher está amamentando. Já a expressão de afeto libera o cortisol, que é um hormônio antiestresse. ''O toque atua nas células do sistema imunológico. Até o afeto de um estranho faz diferença. Isso ocorre também com os animais. O casamento proporciona essa saúde emocional'', conclui.

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