A história de Londrina está diretamente ligada à Zona Rural. Os ciclos econômicos, como o do café, trouxeram riqueza e desenvolvimento. Só que há muito tempo a cidade deixou de ser apenas celeiro para se transformar em polo de pesquisa. A agricultura familiar de décadas atrás hoje deu lugar a verdadeira potência: a agroindústria.
  A mudança de paradigma está diretamente ligada à instalação de institutos de pesquisa na cidade, como a Embrapa Soja e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que contribuíram para melhorar a produção agrícola.
  Na Embrapa Soja, as pesquisas ajudaram na expansão do plantio da soja por todo o território nacional, com o desenvolvimento de variedades adaptadas às condições tropicais e ainda aumentaram consideravelmente a produtividade da cultura. Estudo importante para uma cidade que viu seus campos de café se perderem quase completamente na Geada Negra.
  No ano da criação da unidade, em 1975, a produção de soja no Brasil era de cerca de 10 milhões de toneladas. Na safra 2009/2010, serão 68,7 milhões de toneladas. Hoje o Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
  ‘‘A soja tropical, variedade adaptada a baixas latitudes, foi a primeira e principal contribuição da unidade’’, ressalta Alexandre Cattelan, chefe-geral da Embrapa Soja. Ao longo desse período, foram desenvolvidas mais de 200 cultivares de soja, trigo e girassol.
  Diante da instabilidade climática cada vez maior, a Embrapa Soja busca o desenvolvimento de soja tolerante à seca, ao calor e à salinidade. O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento do órgão, José Renato Bouças Farias, explica que o material não será resistente à falta de água, mas terá uma capacidade maior de tolerância. Ele também deixa claro que isso não irá interferir caso o regime de chuvas ocorra normalmente. O material já foi testado em casas de vegetação e os resultados foram promissores. Atualmente, segue para testes em situação de lavoura e já foi semeado na área experimental da Embrapa Soja.
Sustentabilidade
  A sustentabilidade também está presente nas atividades da Embrapa Soja, por meio do Espaço de Educação Ambiental, destinado a alunos dos ensinos fundamental, médio e superior. Em novembro, um grupo de filhos de agricultores de Janiópolis (Oeste) entrou em contato com esse universo onde a pesquisa agropecuária está interligada à preservação ambiental. O espaço foi criado este ano na antiga sede da fazenda Santa Terezinha, em Londrina. Com a área revitalizada, os visitantes podem conferir uma represa, áreas de preservação permanente e de reserva legal, e construções históricas da época em que a fazenda era usada para o cultivo do café. O EEA tem uma trilha ecológica interpretativa, com monitores dando detalhes sobre o percurso.

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