Pesquisas divergem sobre quem foi Jesus
Chico Otavio
Agência O Globo
De Jerusalém
O desafio de fornecer um retrato fiel de Jesus para o próximo século está longe de ser vencido. Apesar do avanço nas pesquisas sobre Cristo histórico, ainda reina entre os pesquisadores a sensação de que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que chegar a um consenso sobre o assunto.
Quando despidas de preconceito religioso, essas idéias chegam a surpreender. Um teólogo católico e outro judeu foram convidados para falar sobre Jesus. Um deles reconheceu em Cristo o poder de fazer milagres. Já o outro, mais cauteloso, preferiu dizer que Jesus não nasceu pronto e teve um mestre em vida. O que acredita em milagres seria o professor católico e o outro, o judeu? Na procura pelo Jesus histórico, as aparências enganam:
- Jesus tinha o poder de canalizar uma explosão de energia que podia curar as pessoas. Do ponto de vista acadêmico, entendo como isto acontecia acredita o professor judeu Ithamar Gruenwald, do Programa de Estudos da Religião da Universidade de Tel Aviv.
- Para cristãos da época, era difícil aceitar que Jesus teve um mestre. Mas tudo indica que João Batista foi o mestre de Jesus. Ambos pertenciam à mesma corrente profética. Jesus insistia na relação de Justiça como mais importante do que a pureza ritual diz o teólogo argentino Alejandro Duarte, que cursou a católica Escola Bíblica e Arqueológica de Jerusalém.
Há até, entre os que estudam a vida de Jesus Cristo, quem sustente opiniões radicais. Gerd Ludemann, teólogo protestante da Universidade de Göttingen, na Alemanha, está entre os cépticos. Ele despediu-se da idéia de que Jesus era filho de Deus, concebido pela Virgem Maria:
- De divino Ele não tinha nada, era apenas um ser humano, embora um ser especial, um profeta, porque altamente inteligente e com a capacidade de expulsar o demônio, se levarmos em consideração esse ato como uma ação psicoterapeuta.
Se não há como juntar todas as correntes, os estudiosos tentam ao menos encontrar um modelo consensual de pesquisa. Para o padre Prosper Grech, professor do Pontifício Instituto Bíblico da Santa Sé, esse é um caminho necessário para que se avance na investigação sobre Jesus:
- Num recente seminário nos Estados Unidos, a autenticidade das palavras de Jesus chegou a ser decidida pelo voto democrático. A crítica histórica não se faz com métodos democráticos. Por outro lado, uma corrente de racionais céticos, que interpretam os Evangelhos com uma crítica radical, reduz o papel de Jesus. Não podemos deixar de levar em consideração que Ele é a fonte de todas as religiões nas civilizações ocidentais.





