Pesquisador recomenda cautela com pesquisa
Curitiba - Marcelo Bordin, pesquisador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), comentou que os dados da pesquisa precisam ser avaliados com calma.
Não vi a pesquisa e não sei qual foi a metodologia utilizada. É preciso ver como os dados foram colhidos e sistematizados, disse o pesquisador, que considerou que os números podem não ser fiéis à realidade. Pelo que sei, pelo Data/SUS (instrumento do governo Federal que contabiliza as causas de mortes em todo o País), no Norte e no Nordeste há uma grande subnotificação. No Sul e no Sudeste, a notificação é maior, então as ocorrências dessas regiões acabam aparecendo mais, ponderou Bordin. Em todo caso, não é de hoje que o jovem está mais envolvido nesses problemas. Ele está mais vulnerável. Em âmbito nacional, não existem políticas públicas para o jovem, para que ele tenha um emprego digno, um salário decente. Muitos são atraídos por essas, digamos, forças e caem na crimina-lidade, completou.
O pesquisador se mostrou cauteloso em relação ao IHA de Foz. É necessário considerar vários aspectos. Existe a questão de ser uma região de fronteira, que está praticamente aberta, então ali ocorrem muitos crimes, principalmente transnacionais. Foz tem uma grande população flutuante, e isso acaba contribuindo para esses índices, comentou Bordin. Pelo que se sabe, está havendo uma redução (da criminalidade). Resta saber se as ações para essa redução são continuadas e se são acompanhadas de outras ações, como (programas de) geração de renda, para que se reverta essa situação. Só com repressão não se resolve. (F.G.)





