Pesquisa mostra interesse regional pelo TRIO DE FERRO
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segunda-feira, 01 de outubro de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Nas últimas semanas, Atlético Paranaense e Coritiba trocaram provocações e fizeram uma disputa para ver quem colocava mais torcida no estádio. Uma competição saudável, mas de interesse meramente regional - pelo menos é isso que demonstra uma pesquisa divulgada recentemente pelo instituto paulista Datafolha para apontar quais são as maiores torcidas do Brasil. No levantamento, os clubes do chamado Trio de Ferro do futebol paranaense, composto por Atlético, Coritiba e Paraná Clube, sequer estão no grupo dos 17 times que conseguiram 1% ou mais de preferência.
Os rivais curitibanos ficaram em patamares parecidos com os de outras equipes com torcidas concentradas em determinadas regiões, como Vitória, Ceará e Fortaleza. Pior: ficaram atrás de times regionais que sequer disputam a Primeira Divisão do Brasileiro, situação de Bahia, Paysandu e Remo.
De acordo com o Datafolha, o levantamento foi realizado nos dias 14 e 15 de agosto deste ano, através de 2.771 entrevistas em 164 municípios nas seguintes unidades da Federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Alagoas, Sergipe, Ceará, Distrito Federal, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão, Goiás, Tocantins, Pará, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Rondônia.
O vice-presidente de futebol do Paraná Clube, José Domingos, acredita que a pesquisa do Datafolha reflete situações históricas. ''A realidade é simples: o futebol do Rio de Janeiro e de São Paulo dominou a divulgação em rádios, TVs e jornais durante muito tempo. Apenas recentemente os times paranaenses conseguiram algum destaque na mídia. Outra peculiaridade foi a colonização do Norte e do Oeste do Paraná, realizada respectivamente por paulistas e gaúchos, então as populações dessas regiões torcem para clubes daqueles Estados. Quer dizer, mesmo dentro do Paraná os clubes de Curitiba não têm torcida no Estado inteiro. Imagine fora daqui'', diz Domingos.
O comentarista esportivo Valmir Gomes, da rádio Banda B, explica que os times nortistas e nordestinos que ficaram na frente dos clubes curitibanos na pesquisa do Datafolha se beneficiam de circunstâncias regionais. ''Há mais rivalidade no futebol do Norte e do Nordeste do Brasil. Uma vez, fui participar da transmissão de um jogo entre Atlético Paranaense e Sport em Pernambuco. Reparei que toda vez que o (atacante atleticano) Oséas pegava na bola ele era vaiado. Perguntei o motivo e me disseram que ele era vaiado porque é baiano'', argumenta o comentarista.
''O Bahia e o Sport, por exemplo, têm torcedores em todo o Nordeste. O Coritiba, o Atlético e o Paraná não conseguem ter torcedores em todo o território paranaense. A torcida daqui é muito fracionada devido à colonização. Esse fracionamento não aconteceu no Nordeste, no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. Além disso, o Paraná ainda é um Estado historicamente novo e com tradição pequena em termos de futebol'', afirma Gomes.
José Domingos acredita que aos poucos essa realidade deve mudar e os times de Curitiba devem atrair mais torcedores. ''Mesmo hoje, nas nossas viagens encontramos muitos torcedores com camisas do Paraná. Para angariar mais torcida, é importante fazer um trabalho de marketing, quando o time joga fora, distribuir brindes, camisas. Recentemente, o Paraná jogou em Uberlândia (MG) e o filho de um prefeito da região é paranista, sabe tudo do clube. Com o advento da internet, há possibilidade da juventude expandir os horizontes e torcer para os times daqui. Mas isso deve acontecer a longo prazo'', explica o dirigente paranista.


