Pesquisa com dupla nacionalidade
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Estudante de doutorado na área de Ciência de Alimentos, Juliana Bonametti Olivato trabalhou, em sua tese, no desenvolvimento de plásticos biodegradáveis à base de amido de mandioca (polvilho). Com o objetivo de desenvolver materiais plásticos biodegradáveis com partículas em escala nanométrica e com melhores propriedades, ela pôde contar com a infraestrutura de uma universidade na França para análises e testes.
Cada vez mais estudantes de doutorado, como Juliana, partem para o chamado doutorado sanduíche, que possibilita realizar parte da pesquisa no exterior. Para isso, eles contam com o auxílio de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do programa federal Ciência sem Fronteiras, entre outros.
Em 2013, o CNPq concedeu 1.016 bolsas para doutorado sanduíche, ante 770 em 2012. Pelo Programa Ciência sem Fronteiras, mais de 4,8 mil estudantes foram beneficiados. O doutorado sanduíche corresponde a 36,4% das bolsas distribuídas pela Capes - em 2011, de acordo com números mais recentes, havia mais de 2,2 mil bolsistas da Capes nesta modalidade.
De acordo com Pablo Deivid Valle, diretor de Educação Continuada da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), na pós-graduação sanduíche o doutorando inicia sua pesquisa no Brasil, desenvolve parte dela em instituições fora do País e retorna para finalizá-la. Por isso o nome. "Faz o trabalho de mestrado ou doutorado transitando entre uma universidade e outra. Desta forma, ele consegue ter um trabalho em um nível maior."
Para Juliana Olivato, o doutorado sanduíche foi também uma oportunidade de expandir os conhecimentos com um pesquisador conceituado na área de abrangência de sua tese. "(O doutorado sanduíche) Permite ao aluno conhecer outras instituições de ensino, outras formas de abordagem do tema que passamos quatro anos pesquisando no doutorado. É um período de intenso ganho de informações, de experiências trocadas e de convivência com outras culturas", diz.
"A vantagem de participar dessa modalidade de intercâmbio é a de construir novos conhecimentos, tanto teóricos quanto práticos partindo de outra realidade, além de se deparar com outra cultura, outros costumes. A experiência de vida adquirida é muito importante para a formação além das colaborações futuras que se abrirão", opina Sidney Lourenço, diretor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Londrina.
Para Edilson Silveira, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), toda experiência no exterior traz ganhos ao estudante tanto na área pessoal quanto de conhecimento. "A troca de ideias e experiências é muito importante para se ganhar perspectiva sobre o objeto de estudo e sobre como avançar no seu entendimento. O aprendizado de técnicas novas e mesmo a discussão em cima de resultados obtidos no próprio país ajuda muito."
As bolsas da Capes e do programa Ciência sem Fronteiras são concedidas às Instituições de Ensino Superior com cursos de doutorado recomendados e com nota igual ou superior a 3, segundo informações disponíveis no site da Coordenação. Cada curso recebe uma cota de, no mínimo, duas bolsas. O estudante pode usufruir da bolsa pelo período de três a 12 meses. Os interessados são orientados a procurar seus orientadores ou coordenadores de curso. O auxílio do CNPq é concedido a estudantes matriculados em cursos de doutorado brasileiros reconhecidos pela Capes, também com duração de três a 12 meses. As inscrições para o próximo cronograma de seleção para bolsistas do CNPq se encerram no dia 22 de abril.



