Falar sobre sexo não é tabu entre os brasileiros. De mais de sete mil brasileiros de 13 estados, só 10% das mulheres e 6% dos homens se sentem envergonhados ao falar sobre o assunto. 60% deles e 30% delas, ficam à vontade com o tema. Os números fazem parte da pesquisa realizada pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora geral do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e até mesmo por isso, o trabalho de pesquisa fluiu com tanta naturalidade.
A pesquisa virou livro que recebeu o nome de ''Descobrimento Sexual do Brasil
- para curiosos e estudiosos'', lançado pela Summus Editorial. Especialista em medicina sexual, Carmita pesquisou sobre os hábitos sexuais do brasileiro e numa linguagem simples e objetiva, trata de vários temas como orientação sexual, disfunção erétil, orgasmo, fidelidade e compromisso, hábitos sexuais, desejo, Ponto G e doenças sexualmente transmissíveis (DST).
O trabalho foi realizado em 2003, em cinco regiões do País. Foram quatro meses consecutivos de questionamentos em parques, praias, shoppings, começando por São Paulo e chegando a Belém (PA) e Porto Alegre (RS). Foram entrevistadas 7.103 pessoas (1,9% da região Norte; 16,8% do Nordeste; 9,1% do Centro-Oeste; 16,2% da região Sul).
Foram 87 perguntas respondidas voluntariamente por homens (54,6%) e mulheres (45,4%), com idade média de 37,4 anos (variando dos 18 aos quase 80 anos). Os entrevistados são católicos, evangélicos, espíritas, sem religião definida, budistas, islâmicos, judeus, ateus, todos alfabetizados, escolaridade variada, casados, solteiros, divorciados e viúvos. Pessoas que, segundo a autora, ''corajosa e desprendidamente, se deixaram descobrir''.
Dos mais de sete mil entrevistados, 96,7% das mulheres e 92% dos homens se consideram heterossexuais; 2,4% das mulheres e 6,1% dos homens se consideram homossexuais; 0,9% das mulheres e 1,8% dos homens se consideram bissexuais.
Os estudos revelam que a iniciação sexual feminina no Brasil é mais precoce, em média entre as jovens bissexuais, seguidas das homo e por fim, das hetero. O ''uso constante'' do preservativo também é maior entre os homens bissexuais (58,2%) e menor entre as mulheres homossexuais (24,6%).
A pesquisa também revela que a maior parte dos homens e mulheres afirmou ter desempenho sexual de qualidade excelente, enquanto 60% se consideram bons de cama e apenas duas entre 100 mulheres e um entre 100 homens têm desempenho ruim.
De forma simples e direta, a autora aborda temas como a masturbação, que segundo ela, constitui recurso importante para a integração de impulsos e a descarga de tensões, bem como um veículo das ''fantasias sexuais'' do adolescente, do autoconhecimento do corpo e da desinibição para o ato sexual.
A abordagem do tema revela que somente três a quatro de cada 100 homens nunca se masturbou. Mais de um terço das mulheres confessou desconhecer essa prática.
Cerca de 70% dos brasileiros têm relações sexuais ''quando dá vontade'', sem nenhuma programação. O sexo tem hora para acontecer para 15% a 18% dos brasileiros. 7% necessitam de ''situação especial'' para transar. 8% a 9% fazem sexo programado durante a semana, mas o horário varia no final de semana.
A pesquisa também quis saber como são as preliminares do ato sexual. As respostas surpreenderam a pesquisadora. Nem rápidas nem demoradas, responderam 65,9% das mulheres e 59,5% dos homens. São rápidas para 10% delas e para 14% deles; demoradas para 20,8% delas e 23,4% deles. Não há preliminares para 3,3% delas e para 2,7% deles. Mais da metade das mulheres não desejaria prolongar as preliminares e a surpresa é que um quinto delas acha que as preliminares costumam ser longas. A surpresa também fica por conta dos homens que não confirmam a voz corrente de que ''homem não se liga em preliminares''.

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