Antes do fenômeno das redes sociais, o movimento ‘‘Pés Vermelhos, Mãos Limpas’’ já conseguiu o feito de mobilizar londrinenses contra a corrupção na administração municipal. Foi em 2000, quando uma série de indícios de irregularidades na relação entre prefeitura e fornecedores motivou o Ministério Público a investigar as compras públicas. O processo resultou em dezenas de condenações e na cassação do então prefeito Antônio Belinati.
  A história é contada pelo empresário Valter Orsi, atual presidente do Sindimetal e que na época atuava como presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Líder do movimento que tomou conta da cidade, ele recorda que o objetivo inicial era confirmar as denúncias. Diante de toda investigação dos promotores indicando as irregularidades, o movimento assumiu uma responsabilidade maior: apoiar o Ministério Público e pressionar a Justiça a julgar os processos. ‘‘Fui pessoalmente questionar o presidente do Tribunal de Justiça’’, conta.
  Manifestações no Calçadão, sensibilização da imprensa e uma série de outras atividades renderam ao movimento o prêmio ‘‘Integridade’’ da Transparência Internacional. Na avenida Paraná, uma rocha batizada de ‘‘Pés vermelhos, Mãos Limpas’’ é o marco da resistência dos londrinenses que permanece intacta apesar das reformas e mudanças na via. Para Orsi, Londrina é uma cidade onde os problemas não caem no esquecimento. ‘‘É um exemplo para os outros municípios’’, observa.

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