Persistente, cafeicultor resiste às mudanças
Por teimosia e só por teimosia mesmo, o produtor rural Wilson Baggio resistiu na cafeicultura. Sua próxima colheita será a de número 59, contabiliza. Aos 80 anos, Baggio traz na ponta da língua as datas das geadas pelas quais sobreviveu. ''De 1943 até hoje foram 17, entre fortes e fracas'', lembra. O café está há 114 safras na família, que se mudou de Araras, no interior de São Paulo, atrás da fertilidade ''em se plantando tudo dá'' da região norte do Paraná.
Com o café correndo nas veias desde pequeno, Baggio ainda sonha com a volta por cima do Estado no ranking de produtores do País. ''Vamos ver o que acontece neste inverno'', explica o produtor, que sente um novo movimento na cafeicultura. Mesmo sonhando alto, Baggio acredita que o máximo que o Paraná pode produzir é de 4 a 5 milhões de sacas. Um número bem inferior a safras recordes de 21 milhões de três décadas atrás.
''Penso em geada o ano inteiro. Meu pai também era assim. Aliás, ele dizia que não queria saber de ter neto chamado de Julio, para não lembrar Julho'', conta Wilson Baggio, sobre o mês mais assustador para os cafeicultores. ''Passo julho com o rosário (terço) nas mãos'', explica.(K.M.)





